Eu sempre fico curioso, um pouco desconfortável, um tanto lastimado toda vez que penso no povo alemão e todo esse estigma que eles têm que carregar por conta do nazismo e o histórico que o acompanha. Hoje mesmo eu estava no cinema quando passou um trailer retratando mais um desses intermináveis filmes que mostram a guerra, quando duas mulheres alemãs sentadas ao meu lado ficaram visivelmente agoniadas e…
- Como é que você sabe que elas eram alemãs?
- Ah, porque elas falavam alemão, oras!
Continuando… confesso que sinto um pouco de dó deles…
- Você fala outro idioma?
- Falo.
- Qual?
- Inglês.
- E alemão, você fala?
- Não.
- Se você não fala alemão, como é que você sabe que elas estavam falando alemão?
- Porque eu tenho ouvido muito bom, e sei que era alemão.
Eu não gostaria de estar na pele dos alemães… não conheço nenhum outro povo que…
- Seu ouvido saberia discernir um turco falando turco?
- Não.
- E um finlandês falando finlandês? Um tcheco falando tcheco?
- Não e não.
- Então não sei como é que você sabia que as mulheres eram alemães…
Bem, deve ser difícil toda vez que um alemão vai ao cinema e vê um filme sobre a guerra. Todo ano tem um! Que castigo, que…
- Se ao menos você tivesse pedido a uma delas que lhe mostrasse o passaporte, ou uma carteira de identidade alemã…
- Ei, qual é o seu problema? Não está vendo que estou tentando escrever um texto, desenvolver um pensamento?
- Pois é, mas um texto que começa com uma premissa um tanto questionável.
- Qual? O estigma do povo alemão?
- Não. Você dizer que havia duas mulheres falando alemão ao seu lado quando você não entende um nein em alemão… e ainda vir dizer que é porque tem ouvido bom… sendo que é bom, mas não o suficiente para entender um turco, um tcheco…
Na hora me deu vontade de segurar a mão da alemã sentada ao meu lado e dizer que ela não tem culpa e…
- É… você ia precisar do Tradutor Google pra explicar o motivo de estar segurando a mão dela…
- Olha, por que é que você não vai pra puta que o pariu?? Não vou escrever mais nada!!!
Eu realmente gostaria de escrever o que achei daquela situação no cinema, mas aí minha mente esquizofrênica não se decide se escreve sobre o assunto ou se me interroga sem parar me deixando em dúvida se aquelas mulheres eram alemãs ou não. Como cansa pensar para escrever.

Ivan, adorei, sei bem como é ter uma mente tagarela que fica dando palpite em tudo que se escreve. Pior é quando a mente começa a escrever no nosso lugar. Já passei por isso e devo confessar que não sei quem deve assinar esse comentário. Eu ou ela?? (risos!)
Bom ter a sua simpatia, Clarice.
Ivan.
Ou a mente dele.
Ô saudade de ti!
Confia em você. ERA ALEMÃ SIM, ora pois. u.u
Eu sempre faço assim com minha amiga invisível que insiste em dizer que eu estou sempre errada!
Beijo