As Raposas de Sansão

colombo smalledit

1305datebuttonEu gosto muito de ler. E nesse meu hábito antigo jamais impus limites a temas, assuntos, filosofias, conceitos, etc. Enfim, eu sempre leio de tudo. Desde rótulos de frascos de xampu a tratados sobre física quântica. É bem verdade que é mais fácil compreender os passos “aplique massageie enxágüe repita” do que decifrar “funções de onda e vetores de estado”. Nesse meu cortejo também incluí textos de diversas correntes religiosas, entre os quais a Bíblia. Estou mencionando isso porque volta e meia, nesse meu fricote por metáforas, eu utilizo algumas narrativas bíblicas.

       Outro dia, para ilustrar um desejo meu, falei que ia fazer como Sansão e atear fogo na cauda de umas raposas e soltá-las por aí. Não sei se meus interlocutores entenderam, e não sei se você me entende, mas, explico: o texto bíblico descreve que “Sansão capturou trezentas raposas, preparou tochas e, amarrando cauda com cauda de cada duas raposas, prendeu nelas as tochas. Então acendeu as tochas e soltou as raposas nas searas dos filisteus, e assim pôs fogo não só nos feixes de trigo, como no que estava ainda plantado, e até nas vinhas e oliveiras”.

       Pois bem, o texto em hebraico fala de raposas (shuhal), porém o termo se emprega também para representar outro animal, o chacal. E é tanto mais recomendável esta última significação já que existia e existe ainda hoje na Palestina grande quantidade de chacais. O número de trezentos parece um disparate. Contudo, o texto não indica o tempo que empregou Sansão em capturar tão grande número de animais, nem se realizou a façanha sozinho ou se foi ajudado por outros. Ao amarrar os chacais dois a dois e cauda com cauda, com uma tocha acesa entre ambas, se propunha moderar o passo dos animais para que sua ação nos trigais fosse mais efetiva. Sansão os soltou durante a noite para evitar ser surpreendido em sua trama e para que a devastação fosse mais completa, pela ausência de pessoas que pudessem apagar o fogo. Aqueles campos de trigo foram logo devorados pelas chamas. No contexto histórico, essa ação de colocar fogo nas plantações por motivo de vingança ou como ação de guerra estava muito em uso entre os romanos e os árabes. Ou seja, o homem era um incendiário e ecologicamente incorreto. Tadinhas das raposas! Mas, enfim, era guerra, ele tinha lá seus motivos, andaram até cortando a cabeleira heavy-metal dele, foi traído pela mulher amada… mas isso é história pra outro post.

       Voltemos à metáfora. O termo “raposas de sansão” também batizou um batalhão de reconhecimento durante o conflito árabe-israelense em 1948.

       Então, é bem isso, entendeu? Quando você quiser “aprontar um auê’, “armar um barraco”, “pôr o maior fogo”, “botar lenha na fogueira”, “partir para ignorância”, “quebrar tudo” é só dizer que vai soltar as raposas… rsssss

Nota:

A foto foi tirada na Avenida Anita Garibaldi quando eu retornava de Colombo. Um enorme poste, e diversos fios de alta tensão foram removidos utilizando-se o programa “Inpaint”. Oxalá a COPEL fizesse o mesmo.

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