Sawabona

2006datebutton juneHá muitos anos eu leio artigos e livros do Dr. Flavio Gikovate. A tietagem é tão grande que chego a ouvir seu programa aos domingos na Rádio CBN. O texto a seguir é incrivelmente interessante e pode ser liberador para muitas pessoas. Espero que lhe sirva também.

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar. A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal. A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem. O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir flavio2 txse reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria, ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa à aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro.Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.

por Flávio Gikovate

Nota: Caso tenha ficado curioso em saber o significado de Sawabona, é um cumprimento usado no sul da África e quer dizer:

“Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim”.

Em resposta as pessoas dizem Shikoba, que é :

“Então, eu existo para você”.

8 comentários sobre “Sawabona

  1. Nossa!
    N sabia q vc tinha um lado sério, e dos bons!!
    Concordo com td, ser sózinho n é ser solitário, pelo contrário, é uma opção q nos dá o direito d ficar ou n sózinhos, ao contrário d mtos compromissos em q vc sente solidão estando acompanhado e n tem como solucionar.
    Sawabona Ivan

  2. Sawabona!
    Um dia destes,conversei com alguém a respeito desta solidão bem aproveitada. Excelente artigo.
    Beijos.

  3. Oi Ivan,

    Desculpe comentar posts mais antigos. Mas realmente não me aguento! Você não só é excepcional no que escreve, como também no que seleciona para postar.
    O caso deste texto.
    Quando Flávio Gikovate esteve em BH, ele falou exatamente sobre isso. Depois que ele falou, pensei ‘parece o óbvio ululante que a gente precisa conhecer, reconhecer e festejar’ (olha eu voltando para a sua fábula…).
    Mas meu caro Ivan, quando o espaço foi aberto às perguntas…VPP, VPP…

    1. D,

      Não há do que se desculpar! Percorra essa bagaça do que jeito que você quiser.
      Você é gentil demais da conta, uai [ivan já tentando se regionalizar].
      Será que você lê as minhas respostas aos comentários? Se for o caso, VPP é vai pra puta…?

      Curiosíssimo.

      Ivan.

      1. Oi, Ivan!
        Claro que leio suas respostas aos comentários, uai! (reforçando a regionalização)
        VPP ainda não é Vai Prá Puta….rs.
        É isso aqui: http://migre.me/iWqI , também conhecida como vergonha alheia.
        Beijão.

        1. hahahahahahahaha…. WTF… hahahahaha… ótimo o poetinha! Acho que até o meu VPP serve pra ele.

          Ele quase bate um parceiro [e seu cameraman] aqui de Curitiba. Enjoy it:

          1. Ivan,

            WTF?
            A essa hora, tico dormindo e teco está meditando.É exigir muito.
            Esse w aí é que fu*. Que língua é essa? Javanês?
            D.

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