Super 1 Foods

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A vida é cheia de experiências fascinantes.

Eu trabalhei numa padaria. Isso aconteceu em 2000. Eu morava em Dallas, no Texas quando bem perto da minha casa estavam prestes a inaugurar, um grande supermercado chamado Super 1 Foods. Eu fui lá espiar o prédio porque ele tinha as cores verde e amarela na logomarca e por todo seu interior e aquilo me fazia lembrar o Brasil em época de copa do mundo. Eu espiava pela vitrine quando apareceu um homem de camisa branca de mangas curtas e gravata preta. Ele disse: “Wanna work, young man?” [Quer trabalhar, jovem?] Eu disse: “Huh, huh… I… Huh, huh… Just looking” [estou só espiando].

Ele insistiu se eu não queria uma vaga de trabalho, pois eles estavam prestes a abrir e ainda precisavam de pessoas [É isso o que acontece quando a economia é forte e pujante. Você não busca emprego, o emprego busca você. Era assim naquela época nos EUA. Um dia, o bom Deus permita, será também assim aqui na terra brasillis canabilis.] Eu disse a ele que iria pensar, mas no mesmo dia voltei com os meus documentos e consegui o emprego. Eu imaginava que fosse para trabalhar como caixa, mas não, eles me queriam na bakery/ padaria.  Todo o meu conhecimento em relação a pães era pegar a faca, cortar no meio, passar a margarina, e comer. Ah, também sou ótimo em derrubar a tampa da margarina no chão e vê-la cair virada para o chão.

Depois de umas 2 semanas de treinamento às 4 da manhã eu aprendi algumas coisinhas, as quais já esqueci tudo! Era divertido ali. A minha gerente da bakery, Diane, era uma magrinha super ativa. Ela falava rápido e fazia tudo rápido. Ela tinha sede de lucro e vivia pensando em idéias para vender mais pão. Uma das idéias que eu não gostava era o speech. Explico. Ela fazia os pães, e naquele horário em que o mercado estava bem cheio pegava o microfone e anunciava o pão quente saído do forno para a clientela. O meu temor? Quando ela dizia: “Ivan, faça o speech!” Eu me recusava e ela aceitou a recusa umas poucas vezes. Na padaria havia outros funcionários. Uma moça americana que confeitava bolos e que dizia imperativamente: “eu confeito bolos e não faço speeches!” Tinha também o Carlos que era um Porto Riquenho que não falava um ai em Inglês, entrava mudo e saía calado. Carlos era excelente padeiro, e também o sonho de consumo da Diane. Ela o achava um “menudo”. Tinha também o Mark. Esse cara era esquisito. Certa feita fui pegar uma carona com ele e me assustei quando o sujeito teve que soprar um aparelho ligado à ignição do carro para dar a partida. O aparelho havia sido colocado ali pela polícia para impedir que Mark dirigisse alcoolizado novamente. Ele não fazia o speech e eu nunca soube por quê. Mas, Diane queria que o Ivan fizesse. Era horrível!

“Good afternoon Super 1 shoppers! Now at our bakery, we got fresh bread right out of the oven… for just $1.99.. That’s right $1.99. Thanks for shopping Super 1 Foods”…

Duas coisas aconteciam após o meu speech. Primeiramente Diane gritava “uhuuu Ivan, way to go!” [mandou bem] e ficava com um sorrisinho na cara. Eu não sei se ela ria de mim ou para mim. A outra coisa é que eu saía correndo para o fundo da padaria com a cara vermelha e os joelhos tremendo e dizia para a magrela: “no more, no more” [nunca mais, nunca mais]

Não entendo bem os caminhos dessa vida. E é bom que eu não entenda. Se até os escritores nem sempre sabem o começo, meio e fim de um romance, por que eu haveria de saber a justificativa de  passar por tantas experiências? Um dia recebi um e-mail com aqueles questionários idiotas. Uma pergunta dizia: Você saltaria de Bungee Jump? Minha resposta seria foi um NÃO sonoro. Se eu quisesse ver a minha vida passar diante dos meus olhos eu teria maneiras mais interessantes de fazer isso. A outra pergunta foi: Se você fosse um giz de cera, que cor você seria? Bem, se EU fosse um giz de cera a cor seria a menor das minhas preocupações.

A vida é cheia de experiências fascinantes.

2 comentários sobre “Super 1 Foods

  1. Oi meu amor!

    A essa eu não resisti comentar. Lembra do livro? Ainda vou cobrar muitas vezes!
    Adorei vc não ser rã na água morna;
    Beijo enorme, saudades!
    De

    1. Definitivamente, a vida tem coisas fascinantes. Uma das pessoas que mais me incentivou a escrever, que mais tieta meus modestos versos, que mais faz propaganda e que NUNCA havia dito um pingo em forma de comentário, finalmente me dá a honra!

      De, eu posso até ser um sapo no brejo, mas ser rã na água morna, nem pensar. 😛

      Um beijo na sua irmã também. Vamos combinar para fazer conversação em Inglês? Eu dou uma aula grátis de como fazer um speech da padaria! rsssss

      Receba meu carinho!

      Ivan

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