A Cabine da Vida

Sempre curti o programa do Silvio Santos. Um dos quadros que mais me divertiu foi aquele em que uma pessoa era colocada dentro de uma cabine fechada à prova de som e o Silvio fazia uma proposta à pessoa sem que ela o escutasse. Quando uma luz se acendia, a pessoa poderia dizer apenas SIM ou NÃO. Algo mais ou menos assim:

–        Vamos para o palco! Em que caravana você veio?

–        Eu vim com a caravana do Cambuci…

–        Ok, abram as cortinas, você vai pra lá, vai pra lá … Entre na cabine…

–        Moisés, você aceita trocar uma pilha usada por uma moto 500 cilindradas?

–        “Nãoooooooooooooooooooooooooooooooooo”

–        Ahaaaaaiiiiiiiii…ihiiiiiiiiii…..  Ele não aceitou!!!!!!!!

–        Moisés, você aceita trocar uma viagem com acompanhante para o Caribe por um jogo de facas da Tramontina?

–        Simmmmmmmmmmmmmmmmmm

–        É com você Lombardi!!!!

–        Alôoo Patrão!

E assim seguia o jogo.

Pois a vida é feita de escolhas. E apesar de nossos ouvidos estarem geralmente bem abertos para sabermos optar conscientemente pelo Sim ou pelo Não, nem sempre é isso o que acontece. Às vezes agimos como se não soubéssemos as possibilidades e as consequências das nossas decisões. Fico imaginando se pudéssemos alterar situações onde tínhamos que ter dito sim, e acabamos dizendo não, e vice versa. Mas, para que eu não passe por fatalista, intolerante e radical, preciso admitir que o fator sorte também conta muito nessa hora. Perceba nos eventos imaginários a seguir:

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Senhorita Bebel, a senhorita aceita trocar 10 ingressos em camarote vip para assistir ao Show do U2 em Londres por 1 ingresso para assistir ao show do Padre Fábio de Melo na AABB de Pindamonhangaba?????

“Simmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm”

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Senhorita Ariadne, a senhorita aceita trocar o casamento com aquele bonitão que tem um ótimo emprego na multinacional e ter três filhos com ele, sabendo que ele vai ser infiel a todo o tempo e quando a senhora completar 40 anos ele vai pedir o divórcio porque estará apaixonado pela auxiliar administrativo gostosona de 21 aninhos para lhe deixar cuidando dos filhos sem emprego e com uma pensão mixuruca, por um casamento estável e feliz com um balconista do supermercado não lá tão bonito, que não vai poder lhe dar um carro do ano, nem um apartamento de 4 quartos em bairro nobre, mas que vai fazer sexo com paixão alucinada contigo e lhe ser fiel permanecendo contigo e os filhos pelo resto da vida???

“Nãoooooooooooooooooooooooooooooooooo”

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Senhor Tibério, o senhor aceita trocar 15 dias em Paris com acompanhante, estadia em hotel de luxo com pensão completa em plena Champs Elysées com dez mil Euros para gastar a vontade, vôo em primeira classe da Air France que irá cair no oceano atlântico, por um fim de semana em um sítio em Maricá com um grupo amador de vinte pagodeiros, num local infestado de mosquitos, com problemas constantes de falta de água num clima quente e úmido numa casa com apenas um banheiro?

“Simmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm”

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Jovem Bruno, você aceita trocar uma balada com direito a uma noite romântica num motel com piscina de ondas, elevador panorâmico, zoológico privativo, academia de ginástica particular, campo de futebol, playstation III, cama God Size tendo por companhia a mocréia da Marisete, por uma noite romântica num hotelzinho perto da rodoviária com uma cama de solteiro, num quarto cheio de pulgas com a Janete, a menina mais maravilhosa do bairro, com corpão escultural, mas que você irá descobrir que é na verdade um baita travecão chamado Otoniel?

“Simmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm”

Pois é, nem sempre o espaço do sim é mesmo de um sim e um espaço do não é mesmo de um não…

ssantos

Ahaaaaaiiiiiiiii…ihiiiiiiiiii… Ritmooooo é ritmo de festaaaaa…..

14 comentários sobre “A Cabine da Vida

  1. Adorei o texto Ivan, as analogias por vc postadas, acabam nos remetendo a uma reflexão bem profunda das nossas escolhas, intuitivas ou não no claro ou na cabine… todas enfim com as suas consequências.
    Beijo grande!

  2. Olha eu aqui de novo.
    Conferi a sugestão e ri muito com o Tibério (maldade sua, né?).
    Como é bom te ler!
    Beijo!

  3. bicho, mimijei de rir.

    HAHAHAHAHAHAHAHAH.

    ô lembrança doidaaa véi.
    vo indicar esse post, no meu blog já já.
    1,2,3 meia e já!

    Beijones, L.

    1. 🙂

      Eu sou fã do Silvio. A alquimia dele pra mim é outra. Ele transforma sandices em lembranças. Eu me parto de rir.

      Valeu pelo comentário.

      Bjo.

      Ivan

  4. O patrão sempre arrasou.
    Quando criança era tudo que eu queria assistir no domingo, mas ninguém deixava porque achavam trash.
    Que coisa não.

    Esse negócio de escolha é algo muito sacal. Porque não é como se a gente soubesse o que vai dar o sim ou o não.
    Ou então, a gente sabe, mas ainda assim topa trocar o bom, bonito e barato pelo ruim, feio e caro.
    É que nem a minha história com portas.
    Comentando o teu comentário: o problema é que eu não me detenho. Eu atravesso a porta, como eu fiz ontem, logo que terminei de escrever aquele texto.
    E eu já sei o que tem atrás da porta, e eu sei onde vai me levar, mas ainda assim, só de cruzar aquele umbral, eu já sinto que valeu a pena trocar uma televisão de 300 polegadas, por um radinho à pilha.
    Quem vai poder dizer que foi uma má escolha, além de mim? E mais crucial ainda: se eu to disposta a ficar com o radinho, o que os outros tem a ver com isso?

    Somos inviáveis mesmo.

    Beijos

  5. Sim ou não…melhor ou pior…certo ou errado…quem vai saber???
    A vida não dá certeza para ninguém e isso é o mais legal de viver!!! Ter o direito de escolher, de acertar, de errar, de crescer ou não, de “ganhar” ou “perder”…

    San

    1. Eu tenho a convicção de que na vida tudo depende de escolhas e não depende de escolhas. Será que me fiz entender? 🙂

      Bjo.

      Ivan

  6. Nada melhor do que estar disponível e participar do Jogo da Vida!
    Bingo! Aos acertos ,aos erros.
    Bingo! Aos tropeços que o caminhar contem.

    Ps. Fiz um troca/troca nas opções da estória e terminei com Senhora Bebel, fazendo churrasco em Marica e Tibério, O gay casando com o gostosão da multinacional em cerimônia celebrada por Padre Marcelo. Resumo da opera: Não consegui mesmo assim ter a certeza de um Final Feliz!(rs)
    Beijos

    1. Juju,

      Quando eu não estiver inspirado pra inventar historinhas eu acho que vou pedir pra você contribuir com versões “troca/troca” de alguns contos mais antigos, tipo versões repaginadas.

      Obviamente, sem finais felizes! [rs]

      Bjo.

      Ivan

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