Mundo Corporativo – O Milagreiro

FLINTSTONE PIUPIU xinga

A máquina de Xerox do nosso departamento dá defeito a todo instante. Praticamente todos os dias.

O cara que presta manutenção aos nossos equipamentos é extraordinariamente mal humorado. O nome dele é Fred Baltazar. Fred tem círculos pretos ao redor dos olhos, uma feição assustadora capaz de fazer uma criança chorar lágrimas de sangue, e pelo que eu tenho percebido, uma só camisa. Nosso Fred está mais para Krueger do que para Flintstone.

Eu sinto pena do sujeito que parece profundamente revoltado com a vida. Talvez seja porque ele é chamado a toda hora pra consertar a mesma porcaria de máquina. Em compensação, apesar de todo o seu azedume, Fred é um trabalhador que opera milagres.

Eu, que sou da paz, já desenvolvi o hábito [saudável] de evitá-lo, mas hoje não tive como escapar a um encontro porque eu precisava tirar um calhamaço de cópias, e, quando entrei na salinha, Fred estava lá consertando a merda da copiadora mais uma vez.

As técnicas de reparo empregadas por Fred são desiguais, bombásticas, inusitadas. Elas incluem socos com os punhos no painel, xingamentos de toda ordem, e a emissão de sons e ruídos que algumas pessoas juram ser ele falando em línguas estranhas. Hoje, enquanto eu o observava da entrada da sala, depois de golpear a máquina várias vezes com um martelo de borracha e de dar uma joelhada na tampa traseira, Fred colocou a cabeça em cima da bandeja de alimentação, deu um suspiro pesado e angustiante e silenciou. Inocentemente, com a intenção de demonstrar solidariedade, eu me aproximei e perguntei se ele estava bem.

Fred Baltazar me olhou como se eu fosse um monte de cera que ele acabara de tirar de dentro do ouvido e me disse: “Meus pulmões estão densos de tanto respirar toner e meus olhos ardem com a luz da fotocopiadora. Eu dou meu sangue nesta empresa todo santo dia, e em troca, sou forçado a conversar com baitolas. Minhas costas estão doendo, meus colhões estão inchados e o infeliz do meu filho quer estudar dança flamenca.”

Tendo dito isso, ele soltou um grunhido estranho, deu um soco na máquina, e, assim, como num passe de mágica, voilá! Ela voltou a funcionar.

E Fred operou mais um outro milagre.

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31 comentários sobre “Mundo Corporativo – O Milagreiro

  1. Hauhauhauhau…
    Medo desse cara… Mesmo!
    Parece até um dos carinhas do Helpdesk lá da empresa… Eu tô com um problema intermitente na minha máquina, e nas duas vezes que pedi pra alguém vir ver, veio ele, e na hora que ele chegou, óbvio que o problema estava no momento “tô não”.
    A próxima vez que ele vier ver a minha máquina “sem problemas”, acho que ele arruma um, jogando a bendita na minha cabeça.
    Medo.

    rsrs

    Beijo Grande

    1. Oi Maíra,

      Eu vou falar, quer dizer, vou pedir pra alguém falar para F. Baltazar para mandar um currículo aí para sua empresa. Acho que tudo que ele precisaria hoje é um ambiente em que o milagre acontece antes dele chegar, sem necessidade de murros, pancadas, xingamentos, e, claro, ofensa aos que estiverem por perto.

      Mande o endereço que eu faço acontecer!

      Beijoquita.

      Ivan.

  2. Olha não sei o que é pior..o cara q arruma nossos computadores, é tão, mas tão simpático, que eu sei da vida toda do sujeito, até que a mulher dele teve um caso com o empregado da loja. é de dar nojo….vc querendo que ele faça aparecer todos os seus arquivos e ele contando a cor da cueca…deprimente…
    Fora q as vezes passa aqui, só pra tomar um cafézinho…e o pior cobra R$ 80,00 a hora…sendo q de tres, duas horas é papiando agua….

    até, beijos!

    1. Oi querida Amanda,

      Pois Baltazar nunca foi apresentado à palavra simpatia. Baltazar é um sujeito insuportável. Eu ainda ficaria com o cara que arruma os seus computadores. No seu caso, ele fala a cor da cueca, no caso do Balta, ele mostra [com direito a cofrinho e rabo peludo – uma visão do inferno!]. Talvez se o Baltazar cobrasse um valor assim tão alto, talvez o humor dele fosse melhor. Tenho a impressão que recebe um pouco mais de 1 salário mínimo. E com esse salário fica difícil manter um filho na aula de dança flamenca!

      Ha!

      Até, bitoca.

      Ivan.

      1. Poxa,fala pra o balta depilar à brasileira, fica uma belezinha, mas corre o risco de vc se apaixonar, se é que já não está perdidamente, rsrs. Ah, aquela empresa de cosméticos que é do tempo das nossas avós (é só ler nova ao contrário,rs)tbm vende um corretivo pra os olhos que é uma beleza, dá a dica pra o balta e será um história com final feliz (sua e dele é claro! kkk)bjs

  3. Huuuuuum, que isso, não te abandonei não, e eu que sou sua fã oras. é que estou trabalhando em dois empregos, meus textos nem andam tendo muita lógica. Eu ando hiper cansada, só durmo e trabalho e como e durmo… Adorei o texto. É as coisas ultimamente, aliás desde sempre funcionam a base da porrada às vezes. Abraço.

    1. Minha querida Ludmilla,

      Ter você como fã é tudo o que eu queria da vida. Você sabe que a admiração é recíproca também. Fico contente por você ter achado um tempinho para dar um oi e dizer que está bem. Parabéns pelo esforço e pelos dois empregos. Uma carga horária assim não lhe deixa tempo de sobra para arrumar encrenca, não é mesmo? É bom mesmo ocupar a vida com o trabalho. Acredite nos seus sonhos e que dias melhores ainda virão, mesmo que seja a base de porrada, nos outros. Rssss

      Um abração carinhoso em você.

      Ivan.

  4. Certo dia li ,sobre o Poder do Abraço como aliado a depressão e estresse no trabalho.
    Estava escrito que 😮 abraço ativa o sistema imunológico e acalma.
    Eu como boa taurina que sou, resolvi colocar a técnica em pratica aqui na empresa;
    As reações foram as seguintes:
    O engenheiro acertou o olho da faxineira com o capacete.
    O contador teve torcicolo pq o Boy insistia em abraças e beijar ao mesmo tempo.
    A recepcionista foi agarrada pelo vigia e teve uma costela fraturada.
    O técnico de manutenção dos PC ao ser abraçado pelo motorista, não se conteve e jurou amor eterno.

    Tenho a **Impressão** que não deu certo

    (rs)

    Avise ao Baltazar( poisss poisss ) que foi aberto vaga aqui…

    Beijos ..

    1. Hahahahahaha

      Juju, você é muito gaiata! E querida.

      Pensando que estamos no período do natal [ou quase], você me fez lembrar de uma tradição nos EUA em que consiste das pessoas pendurarem em casa, ou nos escritórios, um enfeite parecendo um raminho que fica pendurado geralmente sob o umbral de uma porta chamado de mistletoe. As pessoas que ficarem debaixo do mistletoe devem beijar-se.
      Que tal você tentar aí novamente agora com essa “proposta”? hahahahaha

      Baltazar deve aparecer aqui amanhã. Sexta é quando a copiadora geralmente dá defeito. Haha

      Beijinho.

      Ivan.

  5. Eu acredito que essa galera da “informática” toda tem um pacto de origem escusa com algumas entidades malignas!! kkkkkkkkkkk

    Vá eu socar a impressora… ela só falta cuspir em mim e não funciona!

    bjoooo

    1. Querida Sal,

      Gosto de você. Gosto de você porque enxerga as coisas com a mesma mística e espiritualidade que eu. Tenho certeza absoluta que todos têm pacto com o Belzebu, o Lord Dart Vader das Placas Mãe, Processadores, Memórias, e afins.
      Concordo 110% contigo. Inclusive, que me desculpem os espíritas que batem tambor, eu estou pensando em levar um HD externo que deu pau aqui para a sessão de descarrego no Centro Cacique Pauduro de Doer que tem aqui perto de casa. Há que se ter fé, não é verdade?

      Ha!

      Beijo.

      Ivan.

  6. Ele trabalha e ainda faz “terapia sem terapeuta” (como diz o Dil), ao mesmo tempo.

    Cara esperto, esse. Otimizando o tempo.

    Rs

    Beijos, Seu Ivan.

    ℓυηα

  7. Rs

    Falava nele, mesmo.

    Fosse em ti, eu usaria mais elogios, tenha certeza.

    * Sr. Arapiraca 500 estava bravinho hoje, hein? Ui, que medo. 😉

    ℓυηα

  8. Ivan!

    Andei fuçando por aqui, que delicia… sarcasticamente delicioso!

    Mas pensando aí no seu milagreiro… você sabe o que pode ser pior que isso?

    Um officeboy-gerente, conhece esse tipo?

    O cara vai todos os dias na empresa levar e deixar coisas, como são coisas para todas as áreas, ele conhece todas, daí começa a pensar que ninguém sabe mais dos processos do que ele..já viu? Vê alguém conversando, do gerente ao mocinho do almoxarifado, ele palpita:

    gerente: Não sei… talvez fosse melhor a gente trabalhar mais com o marketing…
    gerente1: É, talvez fosse bom investir em propaganda mesmo…

    boy gerente: qual o quê, véi, por muito menos eu entrego uns panfreto aí e ceis estóra de vendê. Vão por mim…;)

    Mas os comentários vão de Iapoque a Chuí, pode ser estratégio, limpeza, namorado novo da secretária, a bebedeira da chefia… tudo ele manja.:

    Ana: …ele terminou comigo..tô arrasada…
    Bia: não fica assim não…
    boy-gerente: Pô, se tu quiser eu te dô um trato pra compensar o pé…;)

    Brincadeiras a parte…
    vou passar-ficar-bisbilhotar sempre por aqui

    bjuu

    1. Prezada Daiany,

      Sua visita é uma grata surpresa. Amei a transcrição do diálogo do boy-gerente-terapeuta. Você tem a manha com as palavras quando se trata de demonstrar as figuraças que nos cercam. Dei boas risadas imaginando o sujeito… rsss

      Um detalhe: aqui as brincadeiras nunca ficam à parte. Seriedade em excesso e mal humor, sim!

      Beijos.

      Ivan.

  9. Ivan,

    Brigada pela visita e pelos comentários!

    Mas sabe que eu adoro um sujeitinho mal humorado? Pessoas mal humoradas me fascinam, eu sempre fico imaginando: o que será que tem embaixo dessa cara de merda…

    uahuahaau

    bjo

  10. Oi Ivan, tudo bem com vc?
    Gente, eu tenho medo de Fred,. kkkkkkkkkkkkkk
    Então, eu senti que eu precisava perguntar a ela, pena que eu ñ pude ajudar da forma que gostaria, mas ao menos eu tentei. Eu passei com essa sua vizinha, gente, ela tem problema, super anti social ,kkkkkkkkkkkk

    Se cuida Iva, abraços
    🙂

    1. Menino Dil,

      Aqui tudo vai bem! Espero que o mesmo por aí.
      Dil, não tenha medo do Fred. Pelo menos enquanto você não trabalhar aqui conosco. A máquina deixa ele muito ocupado para ofender pessoas foras desse contexto.. rsss
      Você fez bem tentar ajudar à senhora que chorava. Como lhe disse, foi o que o seu coração mandou na hora.
      A vizinha anda feliz desse jeito. Vai entender… rss

      Cuide-se também, menino terapeuta… rssss

      Abraço.

      Ivan.

  11. Ah Ivan…achou estranho o cara encostando a cabeça na copiadora? Normal, ele devai estar tentando ouvir se ela ainda respirava! ;P

    Beijocas!

    Miss

    1. Verdade… o milagreiro é um homem sofrido… mas, vou te falar, não tem máquina que ele não dê jeito… rssss

      Abraços.

      Ivan.

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