Poema de Natal

Hoje acordei, após a noite de natal
A casa estava virada, parecia um bacanal
No chão havia papel, plástico e coisa e tal
Só então eu me lembrei, do evento anual

Tinha filho, tinha pai, tinha irmão
Tinha mãe, avó, avô, só não tinha cunhadão
Os sobrinhos queriam provar o vinho, a cerveja e o frizzante
Era uma gritaria, risadagem, confusão hilariante
Entre garfadas no lombo, no peru, no bacalhau
O Fabinho soltou um peido e a galera passou mal

Ao todo éramos vinte, gente que não acabava mais
Não havendo mais espaço sob a árvore para tantos presentes
A matriarca se preocupou dizendo: o que faço, minha gente?
Foi aí que improvisaram uma segunda árvore de natal
Arrastaram o pesado vaso com a ráfis escomunal
Todo mundo aplaudiu a bela invenção
E voltamos a comer, pois ainda tinha um brigadeirão

O vô a todo instante avisava a hora
Deixando a netaiada em grande polvorosa
Os segundos vão passando lentamente
Não tem hora pra chegar
Não, aqui não tocou Roberto Carlos,
Só coloquei para rimar

A noite estava escura, como não podia deixar de ser
Finalmente o relógio badalou, era a hora do vamovê
Sob as árvores muitas caixinhas e algumas caixonas
Os olhos brilhavam para a revelação
O que havia naquela vermelha, onde está meu presentão?
Caixas de bombons, sacolas com meias, roupas da C&A
Laptop, GPS,máquina de fazer café,  e o povo a suspirar
Bolsas da Luz da Lua,  bijus lindas,  livros e cds, bolas de futebol
Tinha tudo sob as árvores, até jogo de frescobol

Já passavam das três quando a vó fez uma reclamação
Tanta gente linda e ninguém a fotografar
Foi então que a correria voltou a acontecer
Pois a molecada, a seus celulares foi recorrer
A vó tirou foto com as netas, com os netos e com os filhos
O Fabinho apareceu na sala com uma caixa de Sucrilhos
A mãe reclamava berrando: Fabio Vinicius
E o povo respondia: deixa o menino comer que não faz mal
Afinal de contas, hoje é noite de natal!

21 comentários sobre “Poema de Natal

  1. Tou passando Natal na Letônia e tá bem legal e diferente. Não tão diferente porque é o terceiro que passo aqui, mas enfim, adoro. Ontem foi engraçado porque uma criancinha da família ganhou o presente que mais queria e começou a tremer, gritar e passar mal quando abriu, hahahaha. Miacabo.

    Beijos e Feliz Natal!

    1. Sisa,

      Você vem quando menos espero.

      Meu bem, precisei perguntar a meu amigo Google onde fica a tal Letônia. Ano que vem você me leva junto? Adoro lugares!
      Será que a reação da menininha é cultural? Eu vi uma reação assim como a dela num filme, acho que o nome era O Exorcismo de Emily Rose. Se fosse no Brasil iam chamar um pastor da Universal pra enfiar o porrete nesse demônio natalino! Eu já enfiava um tapa, criança fresca da porra!

      Ha!

      Beijos, meu bem. Felicíssimo Natal, você está na Letônia!! Se aí não passar o especial do Roberto Carlos, 2010 vou pra Letônia! Ha!

      Ivan.

    1. Oi, minha querida Rafaela!

      Espero que tua noite tenha sido legal como a minha! Eu me surpreendi. Geralmente é meio chato tudo isso.

      Mil beijinhos em tu!

      Ivan.

  2. Ivan!

    Só você pra me fazer achar graça em rima! rs

    Que vucovuco, mais um pouco aparecia até boneco de Olinda e alguém cantando marchinhas.

    O meu não vai nada animador assim, mas chamei um italiano e dois chilenos pra segurar o tranco. Vinhos, obviamente.

    Há! (adooro o seu Há!, posso copiar? copiei.)

    bjoo

    1. Querida Maya,

      Eu tenho uma teoria: rimas foram criadas para aqueles que, COMO EU, não entendem porra nenhuma de poesias e afins. Eu tento, mas não consigo entender bulufas de poesias. Eu bem que poderia atacar em direção à hipótese de que nem os que as escrevem, entendem aquela meleca, mas vou me ater a meu estágio insignificante de burro, de alguém que simplesmente não tem a alma, nem o cérebro para lê-las. Como eu ia dizendo, rima é o que me salva quando leio alguma poesia. Eu acho graça quando rimam amor com calor, feijão com atenção, alma com palma e por aí vai. Assim sendo eu soltei minha verve de poeta e criei o tal vucovuco. Porque cá entre nós, poesia sem rima é de doer.

      Meu bem, lamento que o seu natal tenha sido assim a base dos estrangeiros. Tomara que você consiga um ano novo melhor, caso contrário, talvez tenha que apelar para uma brasileira chama cachaça.

      Ha! (Pode copiar à vontade, contanto que eu seja o Diretor Geral do bloco dos que amam Ha!) Ha!

      Beijos, minha flor! E anime-se cause every little thing is gonna be alright!

      Ivan.

  3. Ah, mas como gostei disso, meu bem!

    Vi a cena toda e, pretensiosa (eu), imaginei o texto se formando, todo gostoso, delicado, simples e lindinho. 😀

    Fiz um pedido para o Papai Noel, e ele disse que logo, logo vai realizar. Obaaaaaaaa!!!

    Beijos, dois.

    ℓυηα

    1. Querida Luna,

      Não que eu seja altivo e já esteja me achando o poeta dos poetas, mas cá pra nós, eu facilitei a visualização da cena, os sons, o ambiente, os cheiros, simples e lindinho! 😛

      Que Papai Noel lhe atenda os pedidos e a todos nós que nos comportamos bem em 2009.

      Beijinho.

      Ivan.

      1. Tá, claro que sim, facilitou, mas o que eu quis dizer foi que me senti na cena, fazendo parte dela.

        Sou intrometida, digo, sensivelzinha, é isso, bb. ^^

        Beijoca.

        ℓυηα

    1. Not a problem, buddy! You just came in at the eleventh hour! Ha!

      Good to hear from you! Send my best regards to that big stud York. The kids say hello to you and are asking for their minty treats [should I e-mail the mailing address?]

      Your friend.

      Ivan.

  4. Pode se aventurar mais vezes pela poesia. O que você se propõe a fazer, faz muito bem!
    Gostei!!!! 🙂

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