A Dor de Uma Separação

Minha querida Parati 97/98,

A nossa separação ocorreu tão rapidamente, que eu nunca consegui te dizer “adeus” de forma apropriada. Eu não sabia que você estava olhando quando eu comecei a lamber os faróis do meu novo veículo, e me senti péssimo ao saber que você nos viu.

Todavia, por favor, entenda que foram 6 anos e meio dirigindo um automóvel o qual fui forçado a comprar à minha tia de 82 anos de idade em consequência  de eu ter perdido o equivalente a uma BMW completa com o meu divórcio [estou falando de uma BMW série 7, não cinco].

Eu me lembro que na primeira vez em que eu te vi, me pus de joelho e implorei a Deus para me dizer o que foi que eu havia feito de tão errado para ele colocar na minha vida um carro ao qual um amigo carinhosamente chamava de “broxa-móvel”.  Naquela época eu ainda estava sofrendo com a perda do meu Jetta. Eu estava sozinho, machucado, querendo ser amado aos meus 37 anos, e dirigia você pela cidade sabendo muito bem que a única mulher que iria me mandar parar o carro seria uma policial feminina que percebesse as suas luzes de freio queimadas.

Eu jurei que eu iria terminar contigo quando você chegasse aos 85000 km, mas aí a economia piorou e eu acabei mudando para os 100.000 km. Eu sei que você sabia que eu estava infeliz. Isso me faz lembrar o incidente com as chaves… não foi uma, nem duas, mas três vezes que [ó meu Deus] eu deixei as chaves no banco da frente e mesmo assim ninguém te roubou. Eu imagino que você também se sentiu magoada. Eu não te queria e nenhum ladrão da cidade te queria…eu compreendo muito bem qual é a sensação de ser rejeitado. Duas palavras pra você: Par Perfeito.

Olha, eu fiz de tudo para que a relação desse certo. Lembra daquela vez em que eu vi um cara passando um SMS e dirigindo bem devagar e fiquei na frente dele esperando que ele não te percebesse e acertasse a sua traseira e assim eu conseguisse te dar um novo pára-choque? Pois é, na hora H eu fiquei com medo.

Eu não sei se você sabe, mas eu comprei uma Idea Adventure. Bem, eu não tinha certeza se na hora em que eu estava a lambendo você havia visto o carro todo. Eu preciso admitir que estou AMANDO…gostando muito dela. É espaçosa, segura, acabamento moderno, com sex appeal…ah, enfim, ahh, boa sorte.

Obrigado por tudo. De coração. Eu realmente te amei, você sabe. Ok, tudo bem, eu te tolerei, mas foi do fundo do meu coração, fique sabendo. Eu também não posso ir embora sem que você saiba que toda vez que eu disse que te odiava e que você representava tudo de errado na minha vida, que eu não estava falando sério…de verdade. Por favor, acredite nisso.

Engraçado, de repente, eu me senti mais próximo a você do que em qualquer momento. Eu estou quase te abraçando agora, mas você acabou de ser encerada e, acredite, as chances de eu achar um outro casaco nesse tom de chocolate é quase zero.

É isso aí então. Melhor eu ir nessa. Tipo…me mandar. Dar um tchauzinho e sartar fora. Sartar fora e dar tchauzinho enquanto saio. Tá, tá, eu vou te abraçar sim, e dizer tchau. Adeus. Boa sorte.

Se cuida.

Te amo,

Eu.

………….

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34 comentários sobre “A Dor de Uma Separação

  1. cara…

    como vc conseguiu reproduzir, letra por letra, palavra por palavra o dialogo (na realidade monólogo) que minha ex-mulher teve comigo no dia que me abandonou ?

    parece coisa do demo…

    credo !

  2. Nossa…que diplomacia pra terminar uma relação( mesmo que tenha sido com um automóvel…rsrs).
    Achei o máximo a forma de abordar o assunto e , principalmente, os argumentos.
    Está de parabéns…rsrs

    Beijos

  3. Pô, isso é jeito de se separar de uma Parati? Tomara que o Idea te dê um fora desses pra você saber o que a Parati sentiu.

    Ó, você deve ter errado na cor do carro, porque até onde me informaram, Parati é um dos 10 carros mais roubados do Brasil, junto com o Gol e o Golf. Isso porque é espaçoso pra abrigar a rapeize depois dos assaltos a banco, tem porta-malas grande pra caber cadáveres, e corre mais que muito Toyota e Kia fofoletes… :/ Talvez as estatísticas prefiram as feias.

    beijos

      1. Hahaha… o Meriva também tem uma retaguarda bacana. Apesar de eu preferir a elegância de gente simples com cara de classuda do Ford Fiesta… acho que vou um dia ficar com ele. Sabe aquela simpatia que rola e quando a gente vai ver já rolou? 🙂

        bjs

        1. Sei sim… eu já tive um caso com uma Elba, mas eu era uma criança e acabei não trocando o óleo com ela… mas, em compensação pintou o puta clima com uma BMW… bons tempos… aquela alemã sabia fazer um homem feliz…. 😛

          Bitoca.

          Ivan.

  4. A proposito, muito fofa a foto com o lance das estrelas… 🙂
    (acho que tô apaixonada, tô mega sensível… vendo “Elizabethtown” pela 15a vez…)

    bjs

      1. Ah, que site bonito! A trilha é maravilhosa, ontem eu baixei no piratebay (não espalha, rsrsrs) um disco que dizia ser a trilha, mas não veio uma das músicas mais lindas do filme, a que traduz tudinho… aquela que diz “From this day on I own my father’s gun…”. Lindaça!

        beijo

    1. Rô, meu amor!

      Diplomata era o modelo do meu Opalão… mas isso faz tempo!

      Ei… meu relógio ainda está na sua casa! Um dia eu vou pegar. Você faz um lanchinho? 😉

      Beijos, beijos.

      Ivan.

  5. Eu chorei (pronto, falei!).

    Discretamente, em meio ao humor, está toda a sensibilidade declarada, e isso é lindo! Muito, mesmo.

    No último parágrafo grande, imaginei o Homer Simpson, porque dizer “Tipo…me mandar. Dar um tchauzinho e sartar fora. Sartar fora e dar tchauzinho enquanto saio”, é a cara dele. Rs

    * Coisa bonita é estrela, né? Luar também, aliás, todas as coisas da noite. Até chuva fica mais charmosa quando cai à noite.

    Nunca vi alguém, derretendo de calor, dizer “Eu te amo, e juro por esse sol que me torra os miolos”. Sério, sol não inspira esse tipo de coisa. Noite, sim. E estrelas.

    Beijo, beijo.

    ℓυηα

    1. Luninha,

      Eu tenho que confessar que esse foi um dos textos mais emocionantes pra mim. Que bom que você se emocionou, isso me faz sentir menos bobo… rssss

      Estrelas têm todo um significado diferente quando as admiramos num local sem luz artificial. Você já viu? Se negativo, dê um jeito de ver. É imperdível e necessário à vida.

      Beijos.

      Ivan.

  6. Eu tive uma preta, acho que 98 tb.
    E como comprei novinha e com o meu dinheiro, fiquei me achando 🙂 coisa boa recordar né?
    Beijocas

    1. Val [posso te chamar de Val?],

      Eu não sou apegado a coisas, mas pra mim é difícil mudar de carro, e de casa. Parece que estou deixando uma pessoa. E o pior, uma pessoa que nunca me fez mal algum. Lembro do cheiro de cada carro que tive e casa que já morei.

      Acho que vou chorar… buáááá

      😛

      Beijoquitas, minha querida.

      Ivan.

  7. Fiquei com dó da Parati… tadinha, Ivan!
    Ainda bem que você percebeu a tempo de tentar se redimir. E ela? Vai ficar bem?
    Ela deve estar olhando para as estrelas agora e pensando: ‘fui companheira desse insensível e ele fica lambendo e prometendo tudo de melhor pra outra…’
    =/

    1. MM,

      A danada da Parati passou por mim hoje e me mostrou o limpador traseiro! Acho que é o dedo do meio dela. Ou seja, anda magoada. Não posso fazer nada.

      Beijinhos.

      Ivan.

  8. Como não lembrar do Soneto de Fidelidade, de Vinícius:

    ” De tudo ao meu amor serei atento
    Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
    Que mesmo em face do maior encanto
    Dele se encante mais meu pensamento.

    Quero vivê-lo em cada vão momento
    E em seu louvor hei de espalhar meu canto
    E rir meu riso e derramar meu pranto
    Ao seu pesar ou seu contentamento

    E assim, quando mais tarde me procure
    Quem sabe a morte, angústia de quem vive
    Quem sabe a solidão, fim de quem ama

    Eu possa me dizer do amor (que tive):
    Que não seja imortal, posto que é chama
    Mas que seja infinito enquanto dure.”

    Agora com seu novo amor, a Idea Adventure, que também seja infinito, enquanto dure…

    1. Eu e Idea estamos na fase de lua de mel.. eu vivo excitado com aquele cheirinho de novo dela… mas, não sei quando as peças começarem a murchar, faltar disposição para saírmos, os pneus carecarem… nao sei se fico com ela. Sabe como é, a fila anda…

      Que porco chauvinista. Ha!

      Beijocas!

      Ivan.

  9. Ivan,

    Desculpe por ter comentado no lugar errado.
    Não percebi. Sorry…
    E computador tá dando pau aqui. Você deve estar recebendo tudo em duplicidade.
    Beijos,
    D.

  10. Olá Ivan

    Adoro o modo/jeito que você escreve…
    Sartar fora é um termo que precisa ser tombado por se tratar de bem histórico que expressa uma geração!

    Acho que ela fez bem em te mostrar o ” dedo do meio”…
    A Parati foi para outros braços?

    Fique bem

    Shirley

    1. E eu adoro gente com nome bonito!

      Shirley Vivaldini!

      Obrigado por suas palavras gentis, apesar de dar apoio àquela vazadora de óleo. Ela está nos braços, nas pernas, nos pés.. enfim, se entregou a outro aquela ingrata… se bem que eu não a quero mais… nem de graça!

      Muito obrigado por sua visita. E sartando fora é patrimônio da humanidade. Pelo menos na Tijuca e no Leblon! Ha!

      Beijinhos.

      Ivan.

    1. Querida S.h.i.r.l.e.y. V.i.v.a.l.d.i.n.i,

      Não ligue para esse povo invejoso com sobrenomes comuns e nada sonoros. Seu nome é uma delícia de ser falado. Nem precisa agradecer.

      Fiquemos bem.

      Beijocas.

      Ivan.

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