Meu plastiquinho azul.

Quando estudava no “prézinho”, as carteiras da sala de aula eram cobertas de fórmicas brancas, e num esforço de mantê-las naquele estado de impecabilidade, os alunos eram orientados a cobri-las.  Boa sacada da escola. Eu levava comigo em minha malinha de couro com fechos de metal um plástico grosso, um vinil. O cheiro dele era maravilhoso. Fecho os olhos e sinto. Meu plastiquinho azul bebê vinha de casa dobrado em quadradinhos de 20 x 20 cm — eu era uma criança um tanto atabalhoada e certamente os quadradinhos não eram uniformes.

Toda manhã, antes do início das aulas, eu retirava meu plastiquinho da mala, desdobrava-o e cobria a minha mesinha. A escola protegia a fórmica, mas não protegia o meu plastiquinho. O mundo da fórmica branca não tinha histórias, não tinha estrelinhas, sóis, aviõezinhos, meninos, meninas, casinhas, números e nomes escritos em letras tortas. No meu plastiquinho azul bebê borrado e sujo eu era o rei e meu reinado era absoluto em rabiscos intensos e presentes.

Hoje, vazio, sem ter o que escrever, eu daria um braço, uma perna, por aquele meu plastiquinho azul.

 <---  LEIA OS BALÕES DA DIREITA PRA ESQUERDA.

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16 comentários sobre “Meu plastiquinho azul.

  1. Eu choro com essas coisas…

    O meu plastiquinho era xadrez, branco com vermelho, e tinha umn cheiro adocicado.

    Minha lancheira tinha o Snoopy e aquele passarinho amarelo descabelado e piradão, e cheirava a inocência, acho eu. Ela, a inocência, eu não queria de volta, porque sempre quis crescer, e cada fase é uma fase, enfim, mas a lancheira com o Snoopy e aquele passarinho amarelo descabelado e piradão, ah, essa eu queria! 😀

    xoxo, boniteza!

    ℓυηα

    * Essa foto é aqueeeeeeeeela foto, né? Rs

    ^^

    1. Luna,

      Te conheço o suficiente pra saber que você de fato chora com essas coisas. Deus lhe bendiga!

      Eu lembro do cheiro da minha lancheira. Cheirava maçã. O mesmo cheiro que sentimos ao cheirarmos aquele papel roxo-azulado que envolvem as maçãs em alguns mercados. Já cheirou? rs
      Às vezes eu olho meio atravessado para as mães que guardam o “cobertorzinho do meu bebê quando ele tinha só 3 aninhos…” Que injustiça a minha. Choremos o “fim” dos plastiquinhos e lancheiras.

      Beijos.

      *É essa a foto que eu havia lhe falado a respeito. Que pena que não possa aumentar o tamanho da exposição. Ela é enorme, tamanho de uma folha A4.

      Ivan.

  2. Ai que foto linda! Eternizar a magia do dia-a-dia é isso. Mas me refiro também a foto do seu plastiquinho azul. Gosto de imaginar que no instante depois que a foto foi tirada, seu pai se distraiu um pouco e você conseguiu colocar as mãozinhas no doce que queria e com a boca cheia disse para seus irmãos: viu, como eu sou foda mesmo!!!

    1. Pingo, minha linda.

      Eu gosto das coisas que você escreve. Você não percebe apenas a superfície das coisas, me faz sentir que nunca sou trivial no que tenho que contar. A foto do plastiquinho é o que o eterniza. Nem eu percebi que eu ainda tenho, e sempre terei, essa foto. Obrigado.
      Todavia, a sua capacidade de enxergar além do que é dito também tem requintes de assombro. Eu de fato disse pra eles:

      – Aqui ó! 2 bigadelo, 2 beixinhu, 2 maliola no meu bolsinho! Sou foda mesmo!

      E se eu não estou enganado, eles me deram porrada quando chegamos em casa. Ha!

      Beijocas.

      Ivan.

  3. Eu não tive plastiquinho…

    Pior que não ter o plastiquinho, era fazer na carteira, disputando o espaço mínimo que sobrava e que tinha de tudo: caligrafia horrenda, manchas de tinta, xingos, gozações, recados pros amigos, pros inimigos e as maravilhosas e salvadoras “colinhas em código”! …ficaram todos lá! pena…

    E é essa nossa história, repleta de sonhos, de coisas tolas e tão preciosas, que a gente guarda tão bem guardado na lembrança, que só lembra de vez em quando.
    Mexe com tantos sentimentos coisas assim… lindinhas!
    Emociona…
    Fiquei com saudade.

    É…
    Você tem o dom!

    Obrigada.

    Bjinhos.

    1. Leníssima,

      Com ou sem plastiquinho, o que importa é que quando a gente passa um dia onde as coisas parecem cinzas, e quer escrever e nada surge, haverá sempre uma lembrança do dia em que rabiscamos, escrevemos, comunicamos na mídia que fosse. Sempre.

      Beijos.

      Ivan.

  4. Eu não tive plastiquinho na carteira, mas gosto de lembrar da minha mãe encapando livros e cadernos com plastiquinho quadriculado ( cada série com uma cor diferente), etiquetando tudo e colocando o meu nome, com a letra linda que ela tem. Que coisa boa ter essas coisas para lembrar! Beijos!
    PS: A foto é um capítulo à parte…maravilhosa 🙂

    1. Val, minha linda Val!

      Essa lembrança dos plastiquinhos quadriculados com cores diferentes conforme a série é totalmente excelente! 😛 E a etiquetinha, né? Sabe, eu estudei na maior parte do tempo em colégio público, e lembro que nem sempre as etiquetas eram preservadas, porque os professores mudavam muito 😦
      Outra lembrança, um pouco difícil devo confessar, é que às vezes minha mãe fazia cola com goma, acho que era feito de Maizena, né? Tivemos momentos de muita dificuldade financeira, e nem sempre tínhamos todo o material, e uma cola Tenaz era substituída pela goma feita na panela, e, numa ocasião, até mesmo com arroz cozido. As figuras na cartolina ficavam um pouco enrugadas, mas não soltavam. rsss

      Eu tenho outras ótimas fotos assim. Um dia eu mostro.

      Beijinhos.

      Ivan.

  5. Noite Estrelada para você ( depois desse texto você merece as estrelas )

    Então… Texto de virar a alma. Como foi dito e eu re-dito: Vc tem o dom.

    E enquanto eu lia eu pensava: e esse c****** me passando pito por ter escrito sobre férias na casa do meu avô, que isso dava bandeira sobre a nossa matasulenice e tals… Essa foto ( linda e poética, por sinal ) mostra que seu RG é com três digitos… Há!

    Continue assim.
    Os exames estão ok, né?

    SV

    1. Oi linda!

      Iêêêê… ganhei estrelinhas no meu caderninho. Obrigado!!!

      S.V., deixa eu te dizer uma coisa: querido não se escreve com c, viu?

      Você notou o bando de soldado da P.E. na porta do tal local? hahahaha… Se entrasse algum esquerdinha naquela festa, eles enfiavam a porrada. Mal sabiam que o filho do capitão era um baita revolucionário, um Che Guevara dos infernos. Hahaha

      De que exames você tá falando? Do dedo? Ainda não rolou. Aquela pupila dilatada era do olho da cara mesmo.

      Beijocas.

      Ivan.

  6. Ilusão meeeeu bem… não é querido a palavra…
    Vi mesmo que foi uma festa armada… Seu pai, com todo o amor que ele lhe tem, deve olhar para você e deve pensar: tsc, tsc, tsc… Puro orgulho, certamente!
    Perguntei dos exames, pq vc deve em algum posto remoto, falado de exames.

    Beijo
    SV

  7. Oi Ivan!
    Não sei porque lembrei da música “o tomatinho vermelho rolou, rolou pelo chão. Caiu no meio da rua. Aí veio um caminhão (plof, smach, scrosh…rs). O tomatinho morreu. Nada, nadinha sobrou. Coitado do tomatinho…”
    Vai-se entender a complexidade da mente humana, e os caminhos do inconsciente, né…?
    Beijão,
    D.

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