Curtas de hoje que dariam belos longas

Estava almoçando hoje com meus pais no restaurante que temos o hábito de comer quando o sol entrou pela janela, iluminou a nossa mesa, aqueceu o ambiente, e eu me lembrei de uma pessoa amada, e… e que esse é um outro conto… quando de repente meu pai inicia um assunto:

Pai: Não entendo até hoje como meu pai conseguia sustentar seus 7 filhos sendo um carroceiro no interior da Bahia que carregava pedras até a estação de trem para serem levadas à capital e transformadas em paralelepípedos.

Mãe: É…

Eu: Caraca…

Pai: E a gente ajudava ele (sic) porque naquela época não tinha nada pra fazer. Não tinha nem escola pra ir. Só tinha até o primário. Então a gente ajudava… até eles me mandarem pra Salvador pra cursar o ginásio. Na capital, eu com 14 anos, trabalhei para um casal de judeus russos. Eles vendiam panelas e eu fazia a cobrança aos clientes. Andava Salvador toda a pé, o dia inteiro. No cair da noite eu chegava com o dinheiro da cobrança, eles me davam um prato de comida e eu comia sentado na soleira da casa.

Mãe: E eu trabalhava na fazenda do meu avô com meus irmãos colhendo café no Espírito Santo. Nós éramos 10 filhos, 5 mulheres, e 5 homens. Tá vendo essa mancha aqui na minha mão?

Eu: Tô…

Pai: Sim…

Mãe: Então, na fazenda minha mãe fervia o leite num tacho enorme. Um dia meu irmão Banda (Hildebrando) me pegou no colo para eu alcançar o tacho pra pegar a nata. Na hora eu escorreguei e minha mão mergulhou no tacho!

Eu: Uiii!!!

Mãe: … e o Banda me dizia pra não chorar que ele me dava um ovo!

Risada geral

Eu: Ovo? Tipooooo, ovo de galinha?

Pai: Ovo.

Mãe: Ovo.

Eu: Ovo.

Mãe: Sim. Em fazenda era assim.

Eu [Pensando]: Eu nem vou dizer que ontem fui ao shopping e gastei uma fortuna [no meu conceito] em roupas. Não vou dizer nem a porrada.

Eu [Falando]: Pois é, esse pessoal de hoje só reclama, né? Só consome, consome, consome… Tempos difíceis esses do passado…

Pai: Se eram…

Mãe: Ow!

Eu: Vou ali pegar mais um ovinho frito desse com repolho que tá uma delícia.

********

Hoje o dia foi lindo, céu azul com sol acompanhado de um forte vento fresco, quase frio. Eu amo dias assim.

Ouvi, de canto de orelha, alguém dizer que o tempo prenunciava chuva.

Impressionam-me essas pessoas com a habilidade de prever chuva. Eu só consigo prever a chuva quando um pingo (a little drop, a droppy) acerta a minha testa. E vou lhe dizer uma coisa: eu sou muito bom nessas minhas previsões.

*********

Hoje depois que cortei o cabelo eu caminhava para casa quando percebi um rapazinho parado no meio de uma avenida bem movimentada. No momento o fluxo de carro era inexistente devido a um sinal vermelho. Mas, os carros viriam, e viriam rápidos e sem dó. O rapaz estava tendo dificuldade em equilibrar uma mochila escolar e outros pertences em suas mãos e decidiu arrumar as coisas ali, literalmente no meio da rua. Eu entrei em pânico. Apressei o passo para socorrê-lo quando notei que ele era excepcional. Quando me aproximei da avenida, ele caminhou até a calçada ainda tentando equilibrar as coisas, mas longe do perigo dos carros. Cheguei ao lado dele e percebi que além de excepcional, ele era cego. Eu disse: “Posso te ajudar?” Ele não me respondeu nada, e me mostrou o dedo do meio.

Eu não me senti ofendido. Se eu fosse excepcional e cego, com toda sinceridade, eu mostraria o dedo do meio até pra Deus.

Foda.

**********

Estou me sentindo extremamente feliz. And this is so fuckin’ good.

9 comentários sobre “Curtas de hoje que dariam belos longas

  1. Amei todas as histórias e adorei saber que está extremamente feliz!!!!
    Que bom, espero que me contagie..rs

    Beijinhos e uma excelente semana!!!

    1. Solzinha!!!!!

      Se você for como eu, vai ser contagiada. Porque eu adoooro quando ouço, vejo, ou leio alguém expressar felicidade. Meu coração sorri e meu corpo quer dançar!

      Be Happy!

      Beijinhos, minha flor.

      Ivan.

  2. Ivaaaaan,

    E nossa, sim, eu reclamo, fico puta com as injustiças, digo que minha vida é difícil e ¨vira e mexe¨ olho para o lado e vejo alguém em estado pior. Eu sou fraca, né? Bate um arrependimento.
    Mas eu acredito naquele negócio de ¨cada um carrega a cruz que consegue(e não que merece)¨. Não que isso seja bom, não que seja justo, não que eu ache que minha cruz é pesada demais ou leve demais pra mim, eu acho que só acho (confusa) que eu consigo carregar minha cruz. Com ajuda de algumas pessoas, mas oh, tô caminhando.

    Cada um sabe a dor que carrega, e ainda bem que seus pais superaram o tempo difícil. (Diz pra sua mãe que na casa da Déia vc queria um ovo e ela não te deu!)

    E se eu fosse cega eu não daria o dedo para as pessoas. Será que alguém disse pra ele que esse sinal (de dedo) quer dizer ¨sim¨?
    :O

    Beijo, Ivan

    Falei demais e sem sentido.
    Adorei conhecer vc, viu?Obrigada pelo passeio aquele dia.
    É MUITO bom conhecer pessoas como vc. De todo o meu coração dramático XD

    1. Narinha!!!!!

      Querida, é bem assim a vida, e essas nossas relações comparativas [Ivan tentando falar bonito, sem nem saber se existe essa palavra]… e como eu ia dizendo, essas nossas idiossincrasias [mania de índio que a gente tem], é bem assim mesmo. São tantas dificultâncias [Odorico Paraguassu] e tanto tererê tererê [Zeca Diabo], que nem prestamos atenção na teoria do caos que reina o universo empírico da quântica física [pode perguntar teu namorado se existe ou não isso que falei], que a gente passa a relevar o dedo do meio que o menino débil nos mostra na hora da nossa ajudância [será que eu passo na redação da Federal?].

      Amei conhecer você e seu namorado. O nome dele é Rodolfo, né? [wordpress permite edição posterior dos comentários]. Posso até errado o nome dele, mas me amarrei naquele cabelão comprido loiro, achei que ele é um bom rapaz e que se tudo der certo vocês vão casar um dia, e eu vou lá na Docelândia comprar o bolo! Ha! Diga pra ele me ligar agora que você vai voltar pra casa, que eu tenho umas “colegas” pra apresentar pra ele. Bem, essa parte é mentira, tá? Mas diz pra ele ligar, pq eu preciso de umas aulas de física. Pq se tu pensa que é só tu que vai estudar Psico na Federal, te enganas, fia! Tu ainda vai emprestar livro meu! Ha!

      Beijocas, minha amiga.

      Ivan.

  3. Ivan,
    eu adoro dias tipo o de hoje. Frio, garoando, vontade gigante de ficar em casa abraçando ao aroma de café! =D

    E quando agente vai marcar de comer um repolho com ovo? hahaha

    Bjos!

    1. Luana!

      Dias assim, se não for em um domingo, até que passa. Mas, dias assim em casa de pijamão, comendo pipoca e/ou cheirando o café, aí já é dificil de não gostar!

      Fia, vamo comer repolho com ovo aqui no sete grill. Eu pago! hahaha

      Beijocas.

      Ivan.

  4. Que maravilha saber que está feliz !!!!

    Sobre o primeiro texto, sei exatamente o que sentiu ouvindo toda aquelas histórias do passado dos seus pais. Quando ouço fico chocada, estática em pensar que as coisas mudaram tanto, apenas de uma geração para outra.

    Posso até ouvir algo sobre, passar roupa com ferro de brasa. Lavar na margem do rio … coisa de interior. Chocante.

    Beijos da Ori.

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