Não vou mais levar camisinha

Cenário:

Fila do guichê de pagamento de estacionamento do shopping, no horário de fechamento do mesmo.

Personagens:

Eu, Juliana, as milhares, centenas, dezenas, e as mais de dez pessoas na fila.

Já é notório ao público que as camisinhas que habitam a minha carteira possuem vida própria e carregam um interesse peculiar em interagir socialmente. Eu já contei isso num episódio anterior .

Dessa vez passava um pouco mais das 22 horas, e eu e a Juju [15] saíamos do shopping contentes com algumas sacolinhas. Estávamos na fila do estacionamento, eu tentando equilibrar uma casquinha de baunilha do McDonald’s, uma sacola com um livro [porque vocês sabem, eu sou urbano chique e inteligente], as chaves do carro, o ticket do estacionamento, e a minha carteira. Quis o destino [claro que a culpa é do destino] que a minha carteira escorregasse da minha mão e espalhasse pelo chão de mármore do shopping, entre outras coisas, dois pacotes de preservativos Jontex [porque vocês sabem,  os jontexes são fabricados pela Johnson & Johnson e são os únicos que trazem o selo do Inmetro, o selo Falcão Bauer e o certificado de qualidade ISO 9002]… ok, continuando… então.. dois pacotes de camisinha decidem, em conjunto e solidariamente, deslizar pelo piso do shopping.

Entendam caros leitores, isso não deveria acontecer. Lá estava eu agachado tentando recolher os preservativos e os caquinhos da minha cara caídos no chão e ao mesmo tempo tentando equilibrar a minha casquinha do Mac, a sacola com o livro [porque vocês sabem que eu bla bla bla], as chaves do carro, o ticket da merda do estacionamento do shopping. Eu não olhei para o lado, mas eu posso apostar uma perna, ou duas, que havia muita gente tentando segurar o riso, enquanto minha filha, provavelmente, tentava segurar a própria cara. Não bastando a queda, aconteceu a segunda queda, porque, pelo amor de Deus, é muito difícil você equilibrar uma casquinha de baunilha do McDonald’s, uma sacola com um livro [porque vocês sabem… bla bla bla], as chaves do carro, o ticket do estacionamento, e a minha carteira, e lá se foram as danadas das camisinhas deslizando pelo piso do shopping mais uma vez.

Corta para a cena em direção ao estacionamento.

Juliana: Por que é que você tem que levar essas “coooooisas” na carteira?

Eu: Que coisas.

Juliana: Aquelas.

Eu: Quais? Ahhhhhhh… as camisinhas.

Juliana: Isso [olhando ao redor para ver se não tem nenhuma amiga do colégio por perto]…

Eu: Ah, eu trago comigo porque quando o pessoal quer me dar troco em balas, eu ofereço pagar com camisinhas…

Juliana: Para! Tô falando sério!

Eu: Ué, porque a Organização Mundial da Saúde adverte quanto a necessidade do uso de camisinhas para sexo seguro, e também porque a taxa de natalidade…

Juliana: Pai, por favor, pare!

Eu: Tá bom. É porque eu ainda transo, sabia?

Juliana: Aff… O que eu sei é que eu estou morrendo de vergonha. Você viu o que aconteceu? Por que é que você tem que levar isso na carteira…

Eu: Guria, tu acha que a última vez que eu usei essa “cooooisa” foi quando estourou e você foi concebida?

Juliana: Me poupe!

Eu: Camisinha furada!

Juliana: Não sou eu a camisinha furada. É o Arthur.

Eu: É você.

Juliana: A mãe disse que era o Arthur.

Eu: Quem usou a “cooooisa” fui eu e eu sei que seu irmão já tinha nascido…

Silêncio

Juliana: Pai.

Eu: Oi.

Juliana: Da próxima vez, deixa eu carregar sua carteira?

Eu: Vou pensar no teu caso, camisinha furada.

20 comentários sobre “Não vou mais levar camisinha

    1. Demais, Isa! Isso porque eu não mencionei que o meu cofrinho deve ter aparecido as duas vezes em que abaixei! Ha!

      Beijos, querida!

      Ivan.

    1. Oi!!!!!

      Meu bem, eu ando tão cheio de trabalho que não ouso nem sequer ligar o msn!! Não dou conta! Só me resta ainda insensatez para escrever essas minhas sandices, porque eu não me aguento.. hahaha

      Acredito que na semana que vem eu fico mais folgadinho, e aí você me conta o que descobriu!

      Beijinhos.

      Ivan.

  1. Ivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaan,

    Você é ótimo para escrever cenas verídicas trágicas e engraçadas, além de ser urbano, chique e inteligente que eu já sabia.
    Parabéns querido, 2 vezes…..pela história muito bem contada…..e pela preocupação (que poucas pessoas tem, não só com a taxa de natalidade mas também com doenças da espécie).
    Já com a filha, muuuuuuuuuuito jogo de cintura para ensinar resposabilidades e ainda ser PAI!!!!
    Bjs
    Cris

    1. Oi Cris!!! Tudo bem?

      Urbano chique inteligente e quase um young upwardly-mobile professional.. hahaha… vulgo Yuppie… hahaha

      Sou da política que prefiro contar aos meus filhos, para que eles não ouçam pelo vizinho? Não é melhor assim? rsss

      Beijinhos, querida.

      Ivan.

  2. Olá Ivan

    Ah como é cômico, dificil, chique, urbano e blablablá ser pai e ainda ser desejante…

    Abraços,
    Mônica

    1. Olá Monica!

      Obrigado pela visita e comentário… mas, confesso que estou aqui tentando entender o “desejante”… :-/

      Beijinhos.

      Ivan.

    1. Deia, minha flor!!!

      Tô recebendo um monte de e-mail da sua amiga Silvana convidando para o chá de bebê do Leo. Ela pediu pra levar um pacote de fraldas. Eu disse que se eu for, eu levo um pacote de fraldas e um pacote de camisinha também para ele!

      hahahaha

      Beijos, querida.

      Ivan.

  3. Ivan querido…

    Sempre leio seus acontecimentos eu me divirto com eles!
    Também aprendo e me reflito em algumas situações afins.

    Pois bem, meu filho tem 20 anos e de vez em quando traz a namorada pra ficarem “de boa” no quarto dele.
    Algumas amigas querem me espancar, dizendo que eu sou conivente com a indecência e que, se a moça fosse minha filha, eu não ia gostar desse tipo de “cumplicidade”.

    Minha resposta é simples:
    É por causa de tanta hipocrisia que as coisas estão como estão. Eu prefiro tê-los próximos e sob meu olhar cuidados e vigilante, do que andando porai, expostos à violência em barzinhos, baladas até tarde e depois buscando motéis ou lugares escusos sabe-se Deus onde, em que horário e instigados por quem.
    Sempre que ele vem todo desconfiado: Ô mãe, a Dany quer vir pra cá mais tarde, vc vai sair? (com aquela cara de – pelo amor de Deus, não embassa!)
    Eu respondo perguntando com olhar sarcástico e crítico: ¬¬’ porquê heim? – já sabendo a resposta.
    E ele sem jeito: vc sabe, né…?
    E eu com cara de poucos amigos: Olha, vc sabe que eu não gosto dessas coisas aqui em casa. Eu só permito porque prefiro vcs aqui do que na rua. Mas seguinte, tá prestando atenção? – olhando dentro do olho dele: tem 6 pacotes de camisinha na sua gaveta e mais trocentos na minha do criado… então, já sabe: POR FAVOOOOOOOOR!!!! Não vai fazer merda, tá ouvindo?!
    E ele: Affffeee mãe, toda vez vc tem que dizer a mesma coisa? eu já seeeeeeeeei!
    E eu: Toda vez sim senhor! Tá entendidooooooo, né? hum!
    E ele: sim.

    É Ivan, difícil controlar essa galera de agora… então, eu penso que pior seria se eu fingisse que não to entendendo a situação, se não informasse, não cobrasse uma atitude responsável (dos dois) e achasse que não tava acontecendo nada, como a maioria dos pseudo-moralistas que preferem ignorar a atividade sexual dos filhos a terem uma conversa franca, e aí… logo tem que arcar com as consequências desastrosas resultado da omissão.

    Esse é o meu jeito de cuidar do meu e da dos outros!

    Beijokas carinhosas!

    Eu fico feliz porque você está feliz!
    Então, somos dois felizes!!! Ha Ha!

  4. Acho que a filha … vai querer te esganar quando ver que tornou participante ativa …
    Hum … acredito que ela iria preferir nunca mais tocar neste assunto. hahahahahahahah

    1. Ori,

      Eu como educador dos meus filhos já os ensinei cuidadosamente que na vida existem dois tipos de problema: o seu, e o meu. Nesse caso, o problema é da Juju, e não meu… hahaha

      Beijocas

      Ivan.

  5. Meu bem, amor da minha vida, queridinho do meu coração: onde vc estava com a cabeça quando considerou uma boa idéia ter um pacote (3 unidades, presumo)de camisinhas na carteira? Não era óbvio, evidente e certo que no momento que vc abrisse a carteira pra qualquer coisa as ditas iam cair (já que não tem espaço pra elas em carteiras – especialmente masculinas, que são menores) e se espalhar por aí?

    Hauhuahuahuahuahau…

    Coitada da Juju.

    Beijoca

    1. Querida!!! Antes tarde do que mais tarde!!!!

      Então, na carteira é o lugar mais certo para as horas incertas… ¬¬ já diria o poeta…

      Ha!

      Beijocas.

      Ivan.

  6. Olá Ivan, boa noite…
    Cheguei aqui através do blog da minha adorada Déia, passei por aqui desde que vc esreveu a redação sobre o lindíssimo casamento, mas a correria me impediu de comentar.
    Pois bem, aqui estou, de volta e morrendo de rir desse seu episódio rsrsrs fiquei tentando imaginar a cena, vc teve mesmo jogo de cintura e acredito fielmente que é assim mesmo que as coisas tem que acontecer entre pais e filhos, pais e filhas e camisinhas hahahaha.

    Desculpe as gracinhas e a invasão.

    Beijo e um excelente começo de semana.

    Adlianny Rodrigues

    1. Oi querida!

      Salve, salve nossa querida Déia!!!

      Adliany, isso aqui é casa da mãe Joana!!! O barato é invadir e falar o que quiser, do jeito que quiser. Por favor, não deixe de comentar, e o faça sempre da forma que quiser.

      Beijinhos e ótima semana.

      Ivan.

  7. Oiii, Ivan. Adoro ler blogs e vou fuçando todos os que me chamam a atenção pelo nome. Adoro pessoas que procuram o lado ludico da vida…deve ter sido por isso que cheguei aqui.

    Adorei o seu jeito mais que natural de tratar o assunto com a filhota. Lembrou-me do meu filho me perguntando, aos 05 anos de idade, se ele tinha nascido pela vulva…é, e eu que pensava que ele ainda estava na fase da perereca…
    Bom, quanto às camisinhas, onde mais pode um homem guardá-las quando está na rua????
    Então, a sua ‘desastrosa’ cena me fez lembrar de mim, pegando um ônibus, literalmente carregada por uma bolsa, livros, sacolas de comprinhas, e um desses guarda chuvas enooooormes que mais parecem barracas de praia. Quando finalmente consegui passar pela ‘roleta’, dando com a ponta do tal guarda chuva na cabeça e ombro nos mais próximo, o fdp do motorista freou bruscamente e eu, que me segurava com uma única mão na barra de ferro vertical do ônibus, rodei e cai sentada no colo de um distinto ‘cavalheiro’. Tive uma crise de riso tão grande que nãoconseguia sair do colo do dito cujo. Bom, o sujeito não soltou qualquer grito de dor, então acho que fiz um passageiro feliz…Aliás, todos os demais, porque quando me viram rindo, a gargalhada foi geral!!!!

    Adorei o seu blog. Bjos, Raquel

    1. Oi Raquel!

      Muito obrigado por suas palavras gentis, e por ter compartilhado sua experiência de busão. Aliás, transportes de massa sempre colaboram para textos magnificamente divertidos! Saquei pelo uso da palavra ‘roleta’ que você é do Rio, porque é assim que chamamos ‘catraca’ aí, né? rsss

      Um beijinho. Seja sempre bem vinda!

      Ivan.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s