Pequenos Visitantes e a Comédia da Vida Privada

“E ela teve a coragem de me dizer… o que? Não, falou na frente de todo mundo! Todo mundo! Eu sei, amiga!! Espere um pouquinho, Gisele.”

Ivone afastou o telefone do ouvido e espiou ao redor de sua cozinha. Inclinou a cabeça para a esquerda, para a direita e procurou por aquilo que ela pensava ser apenas sua imaginação e não o que ela pensou ter ouvido. A luz do sol fluía pelas janelas estilo bay window, iluminando até os espaços sob os balcões de granito e o fogão, fato que geralmente aborrecia Ivone, porque sempre revelava algo mais que teria que fazer na faxina toda vez que recebia visitas.

Quando estava para continuar a sua fofoca com Gisele, Ivone percebeu de canto de olho algo se movendo atrás de um dos pés do fogão e soltou um grito. Ela colocou o telefone sobre o balcão e subiu na banqueta em que estava sentada.

Pedrão!” gritou Ivone. Sem ser atendida, ela bufou e apanhou o telefone. “Não, eu estou bem Gisele. Apareceu outro aqui em casa. Pois é! Se a gente ao menos colocasse um veneno, já teríamos nos livrado de vez deles, mas não, o Pedrão sempre tem que montar a armadilha e soltá-los toda a vez. Eles são pestes! Quem vai se importar se a gente matá-los? Você sabe como é, há sempre mais uns dez depois que a gente vê o primeiro. O que? Espere um pouco, por favor,” ela disse.

“Pedrão!”

“Eu juro por Deus, esse homem dorme feito um morto. Não, ele continua trabalhando no turno da madrugada. Desculpe, o que é que você havia perguntando antes? Ah, as moedas. Não, foi um bolo de laranja da última vez. Desculpe meu linguajar, mas esses putos roubam qualquer coisa que vêem. E olha só, esse de hoje parece um monte com aqueles outros dois… Ah! Esse homem! Eu aposto com você que é o mesmo daquelas vezes. Se ele não matar dessa vez, eu mato. Isso é ridículo. Essas coisinhas são uns patifes. Ah! Lá vai ele, lá vai ele. Espere! Ele pegou o iPod do Pedrão! Ah, isso vai tirar aquele traste da cama num segundo! Um momento, Gisele”, ela novamente afastou o telefone antes de gritar para seu marido. “Pedrão! Pedrão! Não me vem com ‘que quié que quié’! Tem um outro daqueles aqui em casa e dessa vez ele pegou o seu iPod. Sim, ele já foi embora.”

“Nossa, Gisele. Eu nunca vi esse homem levantar tão depressa da cama. Eu quero saber se ele vai correr assim se eles me levarem um dia. Ha! Eu duvido também. Quem sabe dessa vez ele resolve dar um fim a essa palhaçada, né? Bem, o que a gente estava conversando mesmo? Certo! Então, ela disse alguma coisa pra você? Bem, isso não me surpreende de jeito algum. Aquela mulher-“ Ivone sacudiu a cabeça ao ouvir o grito de seu marido. “Pedrão?! Pedrão?!” Gisele, eu acho que ele caiu. Eu vou ter que desligar. “Pedrão!”

. . . . . . . . .


4 comentários sobre “Pequenos Visitantes e a Comédia da Vida Privada

  1. Oi…passei só pra dizer que estou com muita saudade e que o meu humor melhorou..rs
    Feliz por você estar estar feliz. Isso é o que importa!!!

    Beijos

    p.s: desisti de esperar a minha cartinha…=(
    De verdade!!

    1. Sol, minha querida!

      Também sinto falta de conversar com você. Ando num ritmo de trabalho que não posso me permitir abrir uma janela de msn. Mas, como você disse, estou feliz mesmo! Obrigado por ter escrito aqui, por falar de você e de seu ânimo. Acredite, eu fico bem contente por seus momentos mais animados. Nunca deixe de acreditar no melhor. Quanto a esperar, às vezes é bom desistir, porque em alguns momentos, quando desistimos, o que queremos finalmente acontece… 🙂

      Muito carinho pra ti.

      Ivan.

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