Helinho, onde está você?

Um dia desses eu estava pensando em meu amigo Hélio Barata. Hélio, a despeito dos longos anos em que não nos vemos, é o meu melhor amigo até hoje. Nós nos conhecemos durante o segundo grau quando estudamos, e nos formamos, em construção naval na Escola Técnica do Arsenal de Marinha, na Ilha das Cobras, RJ.

Eu teria muito que contar sobre as experiências que vivemos juntos, mas hoje eu vou narrar um sonho que tive com ele.

O Sonho

“O que você está fazendo aqui?” Hélio entrou sem bater.

Ivan ergueu a cabeça que mantinha debruçada à mesa, seus olhos não se encontram com os olhos do amigo.

“Nós precisamos conversar.”

Ivan estava sentado à mesa da cozinha, vestindo apenas uma cueca samba-canção com estampas xadrez que dividiam espaço com alguns furos, e um par de meias listradas com pés descombinados. Ele havia feito ovos mexidos e parecia muito agitado. Vários potes abertos em cima do balcão da cozinha indicavam uma busca frenética por pó de café.

Tudo começou a submergir. Na noite anterior eles haviam saído para umas rodadas no bar Capitu. Ivan acabou passando a noite na casa do Hélio. Ivan é o tipo de cara que anda de mãos dadas com escândalo. Algo escandaloso deve ter ocorrido. Ele deixava a impressão de que algo muito errado havia se passado.

As memórias da noite anterior começaram a se materializar. Eles haviam bebido demais. Na ida ao Capitu, encontraram dois passes para um camarote que diziam: Passe Livre – Open Bar. Uma briga. Houve uma briga. Ivan é um cara propenso a engajar em contato anti-social com maníacos violentos. Algo a ver com uma loira com quem ele estava fraternizando. Helio lembrava-se vagamente do estouro de uma briga, e que eles foram postos para fora, Ivan  fazia  uma tremenda folia e se gabava no meio da rua…

“A polícia esteve aqui mais cedo”, Ivan disse a Hélio, enquanto ajeitava sua samba-canção, “Eles disseram que vão voltar depois para nos fazer umas perguntas.”

“O que eles querem saber??”

“Sabe aquele Porsche azul de brinquedo que fica no posto de gasolina na esquina? Aquele que coloca fichinha para as crianças brincarem?”

“Sei.”

“Alguém roubou ontem à noite. Dois caras com a nossa descrição foram vistos carregando ele aqui na rua.”

“E daí?”

Ivan fez um sinal com a cabeça em direção à janela da cozinha. Lá estava, estacionado no quintal da casa, o Porsche Azul do posto de gasolina.

“Você tem razão Ivan, a gente precisa conversar.”

. . . . . . . . . .

19 comentários sobre “Helinho, onde está você?

  1. Alguns amigos levamos pela vida toda, não? Mesmo alguns que nunca mais encontramos. De vez em sempre, lembro de um amigo da antiga 7ª série, o Rodrigo, éramos unha e carne nos dois últimos anos antes do colegial. Fomos pra Escola Técnica em cursos diferentes e cursos diferentes tomamos. Mas guardo uma saudade fdp daquele brother. Abração, Ivan.

    1. Oi Tom!

      Helinho é como um irmão pra mim. Não são raros os momentos em que eu me pego dando risadas sozinho de coisas que aprontamos juntos. A gente pegava o mesmo ônibus para a escola. Eu sabia que quando eu entrasse no ônibus, ele estaria ali no mesmo lugar de sempre. E voltávamos pra casa de metrô. Bons tempos.
      Espero encontrá-lo novamente.

      Beijos.

      Ivan

  2. Oi, Ivan.

    Como estavam essas almas nesse sonho, hein???? kkk
    Você perdeu contato total com o Hélio? Já tentou um último telefone, endereço, msn, orkut, twitter, par perfeito, tarot, búzios ????

    Se precisar de alguma ajuda aqui no Rio, é só falar.

    Bjnhos.

    1. Oi Raquel!

      Não manjo muito de sonhos, e realmente não entendi o que você quis dizer com o lance das almas. Depois me explique, fiquei curioso! 🙂
      Olha só, conversei a última vez com o Helinho há uns 3 anos . Eu achei um contato dele na net, mandei o email e ele me respondeu algo assim:

      “Zinhaaaaaaaa*, irmãoooooo… puta que pariu, caralhooooo, tou arrepiadoooooooo…”

      Me passou o telefone e ficamos feito duas comadres por mais de 2 horas dando gargalhadas das coisas mais idiotas que vc possa imaginar. Combinamos de nos ver, mas acabou nao acontecendo. Eu perdi esse telefone. Um dia desses, por meio de um Orkut emprestado (eu odeio orkut), eu o procurei, mas nao achei. O que eu sei é que o Helio trabalha na Michelin em Campo Grande, RJ. O nome completo do puto é Helio Alberto Barata de Oliveira. Se você achar fico te devendo um doce! 😛

      Beijão.

      Ivan.

      * Zinha é diminutivo para Coisinha… era meu apelido na Escola Técnica… Coisinha… ¬¬

  3. Ai Ivan … não resisti, fuçei o nome do Hélio no Google …
    Descobri que ele participou :CORRIDA DE SAO SEBASTIAO – 2004, encontrei a genealogia dele, e que faz Duatlhon… mas nenhum contato.
    Porém, toda via, contudo … não me dei por vencida. Vou fuçar no meu orlut, se descobrir algo venho aqui te contar.

  4. Oi,Coisinha (kkkkkk)

    As informações da net são anteriores ao seu último contato o Mr. Cockroach, mas…tenho um amigo que estagiou no dpto jurídico da Michelin e está tentando descobrir se o seu Barata ainda trabalha lá, ok??? Call you in case of any news.

    Bjnhos.

    1. Oi querida!!!!

      Chame apenas de Zinha… rssss… é Zinha [vc nao tem ideia como era uma peste o Zinha… hahaha]

      Fia, tenho boas notícias! Minha repórter investigativa já acho o Helinho e está fazendo contato. Tá parecendo história do Silvio Santos ou do Datena. Trarei detalhes futuramente!!!!

      Beijocas.

      Vou terminar a mochila pra ir à Bienal!

      Ivan.

  5. Fala meu amigo / irmão. É isso mesmo galera, para quem não sabe o nome desse barbudo, queimado de praia com cara de “quem não está nem aí para a hora do Brasil” é Zinha. Mas sinceramente para mim pouco interessa se vocês o conhecem como Ivan. Eu sugiro que todos vocês passem a tratá-lo como ZINHA (e não é Coisinha viu Raquel !!! ).
    Quero dizer para todos que realmente eu aprendi o que era uma amizade com esse cara aí. Na verdade, formamos uma família na ETAM (Escola Técnica do Arsenal de Marinha) e o meu irmão nessa família era o Zinha. Gigante, Duarte, Sargento Durão, Roni, Rui, Deco, Negão, Almir, essa era a nossa família.
    Cara, chorei aqui sozinho lendo o teu texto e os comentários. Foi muito bom saber que todos esses anos de afastamento ( e não são poucos) não permitiram esquecermos de nossa Grande amizade.
    Já ia esquecendo, temos que agradecer a Ori pelo trabalho investigativo. Depois ela vai ter que contar nos detalhes como foi rastrear a minha vida.
    Ainda trabalho na Michelin e moro no Grajaú (RJ). Vou tentar um contato com você pelo e-mail para tentarmos nos encontrar. Para que todos tenham uma idéia eu estou casado já faz 17 anos a minha esposa só conhece o Zinha das histórias que conto (e não são poucas).
    Meu irmão, você me proporcionou uma alegria muito grande, tenha certeza disso. Iremos nos ver em breve. Para terminar veja se esta letra trás alguma recordação:

    NESTE FOCO DE LUZ NOSSA ETAM
    LUZ DIVINA QUE A MENTE ESCLARECE
    TEM FULGOR DE RISONHA MANHÃ…..

    (trecho do hino da ETAM que eramos obrigados a cantar diariamente às 8h, formados no pátio para vistoria dos uniformes)

    Um grande beijo para todose valeu pela mobilização.

    ZINHAAAAAAAAAAAAAA !!!!!!

    Você é o cara

    1. Irmao!’!!!!! Estou na Bienal respondendo de um iPad (porque sou um ser Superior). Quando voltar pra Casa a gente conversa, colega. Hahahaha muito feliz meu velho.

  6. Já sei, já sei, Ivan …Zinha!!!!

    Que bom que a net existe. Fico feliz por vc e seu amigo terem se ‘achado’…

    Bjnhos.

  7. Olha Zinha e Barata … já que vocês querem saber, aqui vai …

    Assim que li os comentários, e observei que era uma amizade verdadeira, sem contato, fui invadida por uma inquietude e me responsabilizei por trazer a tona tudo de volta.

    Se existe uma coisa que eu realemnte dou valor, são as amizades verdadeiras.

    Direto no google, descobri várias coisas, esse cara aí, o Barata é tri atleta. Depois de descobrir aonde ele trabalhava, usei da minha posição comercial, para conseguir os contatos dele.

    Mas alguém já viu Barata não dá trabalho? Você procura, procura, procura, chega bem perto, mas a danada desaparece novamente.

    Foi mais ou menos assim que aconteceu.
    O Barata deu maior trabalhão, naõ me atendia. De certo achando que eu era uma reporter mala. Mas venci pelo cansaço, ou por falar que era secretária do Zinha.

    Estou satisfeita com o final, ou melhor novo início desse caso.
    E tudo isso tem um preço, claro … não trabalhei de graça.
    Quero ver ainda no blog, uma foto recente dos dois juntos.
    Para sentir que valeu a pena.

    Beijos da Ori.

    1. Ori, a foto será postada no seu devido tempo. Prometo!!

      Quanto aos dons atléticos do Barata, eu posso dizer que sou o seu mentor no esporte. Explico. Na hora do almoço, lá no Arsenal de Marinha, eu mentia pra ele e dizia: Barata, hoje tem abacaxi na sobremesa. Pensa numa barata correndo os 3 quilômetros que nos separavam do refeitório! E imagino que quando ele olhava aquela marzão ali do lado, a baía da guanabara, ele pensava: ah, se eu soubesse nadar… chegaria mais rápido lá no rancho… E depois ele olhava os oficiais passando em suas Monarks em direção ao almoço, e ele pensava: Ah, se eu tivesse uma bicicleta igual a essa que o Capitão de Mar e Guerra tem…

      Enfim, tinha que virar triatleta! Corre, nada e pedala. E como ele não tinha pelos, isso mesmo, o bicho veio pelado da cabeça pra baixo, então nem precisa depilar para ser ciclista e nadar!

      Beijos.

      Ivan, o mentor.

      Ha!

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