Eu quero comida, diversão e arte.

Nesta semana atual eu deveria estar em Paraty, mais precisamente participando da FLIP [Festa Literária Internacional de Paraty]. Fiz planos há bastantes meses, inclusive com reserva antecipada numa pousada. Não deu certo. Fica para outro ano. Neste próximo, ou no outro próximo fim de semana, estarei na Bienal do Livro em São Paulo. E hoje à noite, há menos de uma hora atrás eu assisti/participei de uma mesa redonda com Fabrício Carpinejar e Marcelino Freire no Projeto Autores & Idéias, iniciativa do SESC-PR, com a temática ‘Narrativas Breves’.

Se eu pudesse me induzir a uma out-of-body experience [experiência fora do corpo] eu olharia para mim do alto, de onde partiria uma luz, e diria: Você é foda! Mas, como eu estou aqui bem dentro desse corpo, eu olho para essa minha agenda, tentativa ou não, e digo, ainda assim: Você é foda!

Estou bem orgulhoso de mim mesmo, mas, de forma alguma, me sentindo melhor do que ninguém. Estou orgulhoso justamente por ter feito boas escolhas. Acercar-me da literatura trouxe um significado de completude em minha vida. Não falo isso como alguém que vê em si o talento para ser escritor reconhecido e premiado. Honestamente, eu não tenho essa pretensão, nem me julgo capacitado para tal. Falo pelo prazer de viver essa experiência, curtir esse mundo tão mágico das palavras. Isso me tem feito muito bem. Queria que você soubesse disso.

Entre várias coisas ditas, e o ambiente lúdico do local, fiquei muito tocado quando Marcelino leu um dos seus contos, intitulado Totonha. Enquanto ele lia, eu sentia o poder das palavras me invadindo, e sem menor pudor ou vergonha não resisti ao choro. Foi impossível não comprar o livro que continha a estória [já que você gosta assim como antigamente] e levar para autografar.

Carpinejar é uma figuraça que parece curtir muito o momento da fama. Muito direto e sincero, trouxe diversos pensamentos interessantes e chocantes para a mesa.

Divido a seguir algumas das minhas anotações:

Fabrício Carpinejar

A gente escreve demais porque tem medo de ofender. A escrita breve ofende, não mede as palavras. O verdadeiro preguiçoso é aquele que escreve muito, extenso, até se perder no que quer dizer.

A gafe engrandece porque produz uma história para contar. Os tombos curtos são os melhores tombos.

Não há nada de errado em rasgar um conto. Rasgar um conto é uma forma de terminá-lo.

No conto o leitor só vê o telhado. A escada é do escritor. Todo leitor tem que encontrar a sua escada. O escritor não tem que facilitar demais.

Todos temos o momento platéia dentro de nós (sobre o twitter)

A mulher é mais sensual na preguiça.

Marcelino Freire

Eu escrevo curto porque tenho fôlego curto. Quero me livrar logo do conto

Escrevo feito goteira. Um pingo ali, outro acolá. Quando não pinga mais, eu pego o balde.

Twitter é esquizofrênico. É uma mania desgraçada de perseguição. É um tal de gente seguindo gente. Eu já vou a motel procurando se tem twitter, para me esconder. (Marcelino é usuário de twitter, mas não entende bulufas da coisa. Até hoje não sabe direito o que fazer ali. Eu totalmente me identifico.. rs)

O conto vale muito mais pelo que não está escrito.

Uma pessoa não passa a existir depois que aprende a assinar o nome. Ela já existe muito antes disso.



13 comentários sobre “Eu quero comida, diversão e arte.

  1. Ivan…
    Você tirou 10 na redação com direito a estrelinha! hahahha

    Me senti culpada por não ter ido…
    Vou te fazer um pedido, quase de filha pra pai:
    Da próxima vez me arraste pelos cabelos e diga: Criança não tem querer!

    hahahaha

    Adorei o texto e as fotos!

    Bjos

    1. Minha filha,

      Quando você me mandou o torpedo ontem desejando um bom programa, eu me perguntei porque é que uma menina que cita tanto o Carpinejar não iria estar nesse evento. Por isso respondi te questionando. Em seguida você me responde com aquela desculpa esfarrapada. Eis aqui o diálogo que me veio à mente:

      – Luana, posso ser teu pai por cinco minutos?

      – Pode.

      – Te dou um tapa!!!

      hahahahaha

      Você perdeu, sua boboca. Obrigado pelo 10, fessora! rsss

      Beijos.

      Ivan.

  2. Vale muito a pena. Essas palestras sempre me trazem e conduzem ao caminho certo. Acho a literatura tão essencial que já nem sinto mais a necessidade de justificar a necessidade dela, quando alguém me faz pergunta tão canastrona.

    Fico feliz que tenha gostado, muito.

    beijo

    1. Boca,

      Quando você diz que estuda Letras o povo pergunta pra que? hahahaha

      Obrigado pelos toques que você me dá, e por me incentivar também nessa área. Você é minha amigona! Peguei um encarte do Sesc e vou mandar pra ti, só pra você cheirar como eu cheirei. Coisa de maluco, né? rssss

      Beijocas.

      Ivan.

  3. Oi Ivan!
    Há algum tempo não aparecia por aqui. Mas tô pedindo licença prá entrar na casa, tomar um cafezinho (tem pão de queijo?) Estava com saudades. O visual tá novo. Bem legal! E o astral, ótimo. A gente já chega aqui sorrindo.
    O detalhe do seu blog faz muita diferença, sabe? O detalhe da forma e conteúdo da palavra.
    Ainda não fui a nenhuma FLIP , mas Bienal do Livro não perco nenhuma. Não perdia, aliás, até este ano . Preciso aplicar, em caráter de urgência, o método GTD ( Getting Things Done)em algumas áreas da minha vida. E aí é questão de escolher uma coisa em detrimento de outra quando se pensa em prioridade, né?
    Não posso deixar de comentar que me identifiquei totalmente com essa sua frase : “Acercar-me da literatura trouxe um significado de completude em minha vida.”
    E eu falava sobre completude agorinha mesmo com uma pessoa no e-mail. Completude, acaso, destino coisa e tal.
    Não tinha lido nada do Marcelino Freire mas já fui no blog dele dar uma fuçada…rs. E, depois do que falou EU VOU TER que comprar algum livro dele. Tem certos livros que são compulsórios de ter, e pegar, e ler, e chorar.
    Agora Carpinejar é louco. Simples assim: louco.
    Beijão Ivan.
    D.

    1. Querida D,

      Aqui quem pede licença recebe autorização, contanto que seja licença para vadiar. Vem comigo!

      Poxa, fiquei tão feliz por te ler. Sempre curti seus comentários e saber que você lia o blog sempre me ajudou a procurar manter um nível de excelência. Claro que não adiantou nada, né? Isso aqui é coisa de mulambo, com ou sem esforço! Ha!
      Tinha que perder logo essa Bienal? Seria um barato reunir um grupo de pessoas amigas e queridas num local como esse. Imagina um povão desse junto, tomando vinho, pegando o metrô, andando no engarrafamento de São Paulo… bem, pula essa parte!
      Marcelino é bicho bom! O cara me conquistou, e nem precisei exercitar meu lado feminino. Foi conquista de macho pra macho! rs Compre “Contos Negreiros” e leia a historia de Totonha, que era uma tia dele que se recusava a aprender a ler. Totonha me fez chorar! rsss
      Carpinejar é bicho doido! Doido. Tava de unhinha pintada de verde limão… me disseram que ele alega que precisa de uma mão feminina pra guiá-lo ao escrever. Eu já acho que isso é caô! Coisa do tipo quero ser o chico buarque das crônicas, twitter, e narrativas breves! Hahaha O cara é avião! Adorei!

      Bom te ler, D.

      Beijocas.

      Ivan.

      PS: Não tem pão de queijo, mas tem bolo de fubá!
      [sempre adorei PS. As vezes escrevo, ou recebo, cartas super sem graças, mas, quando têm PS meus olhos esbugalham! Acho que esse lance de narrativa breve é duca! rsss]

      1. Povão junto? Vinho? Pegando metrô? Tô dentro!!!
        Quase chutei o balde do GTD, no melhor estilo carpe diem,rs.
        Eu li aqui que está escrevendo um livro, Ivan? (ou estou enganada…?)
        Vou no lançamento, ok? (povão junto, vinho…rs)
        Beijão,
        D.

        1. Oi D! Bom dia!

          Poxa, não custa nada a gente sonhar! EU gosto de gente, e se eu tivesse os poderes, eu reuniria um monte e me cercaria delas. Não custa sonhar!

          Quanto ao livro é um projeto pessoal, familiar. 🙂

          Beijoquinhas.

          Ivan.

  4. Oi Ivan,

    Você pode até não ter a pretensão.
    Mas certa estou que eu e outros leitores do blog, gostariam que você tivesse a intenção.

    Bjus da Ori.

    1. Ahhhhhh… você é uma fofa! 🙂

      Eu estou apaixonado pela palavra, se ela me der bola, eu prometo que a gente faz filhos, tá bom? rssss

      Beijos!

      Ivan.

  5. Que legal!!! Adorei a sua empolgação com o evento.Só me tira uma dúvida…tive a impressão que estava escrevendo para alguém em especial..não sei…
    Enfim…fico feliz por você!

    Adorei as fotos!

    Beijos

    1. Oi Sol!!!!!!!!!!!

      Que bom te ler! Tirar dúvida? Você não está vendo o telhado apenas. Você subiu a escada. Por que dúvidas? 🙂

      Beijos, minha linda.

      Ivan.

  6. Ivan!

    Nossa, quanto tempo faz que eu não te leio. Nem lembro da última vez. Mas hoje, fazendo umas pesquisas insuportáveis e umas leituras cansantivas, lembrei de como seus textos são leves, leitura gostosa. Bateu aquela saudade. Nem lembrava mais o site, que vergonha. Mas encontrei. E aqui estou. Adooooorei todos os que li. Se pudesse ficaria aqui lendo, relendo, trelendo todos possíveis. Mas não posso. Tenho que voltar para a tal pesquisa insuportável, deixar essa leve e descontraída leitura, para a tal cansativa.
    Agora que te reencontrei, não te largo mais, não te troco por nenhum outro…
    (não sei se você lembra de mim. Mas eu lembro de você)

    beeeijo !

    Mirelly Viana

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s