Para quem curte ler obituário num onze de setembro

Você morreu. Mas, ainda assim, quero ter mais um conversa contigo.

Eu sempre achei que ninguém foi feito pra morrer, e por conta disso é que a gente não sabe lidar muito bem com a morte, como se ela não entrasse bem no sistema de raciocínio justo e lógico, a ponto de desejá-la, por exemplo. É como se no nosso manual de instrução a morte fosse um item que faltasse, que alguém se esquecera de redigir, e aí de repente, ela acontece e tudo que a gente faz é ficar com a cara de cu e dizer: morreu.

Eu sei que você gosta da minha cara de cu, se não me engano você chegou a dizer que a achava “sexy”. Putz, vou sentir sua falta.

Que suas irmãs não me leiam, mas, honestamente, eu preferiria que fosse a passagem das duas, no lugar da sua. Você sabe que eu acredito em preferências. Logo agora que, depois de uma longa espera, eu mudei vocês para mais perto. Será que aquela máxima de que em time que está ganhando não se mexe prevaleceu nessa situação? Será que lá onde vocês estavam a vida era melhor e a morte não passava? Será é coisa que se diz com a morte.

Você ficou linda no vestido prata que te dei.

Pois é, Rajadinha, você que tantas vezes me viu desnudo, hoje não está aqui para ver a nudez do meu coração. Quanto àquele vestido prata, eu dei para uma pimenteira que substituiu o lugar que era seu. Veja bem, substitui-se um lugar, não uma alma. A sua fica eterna. Eu senti que não poderia deixar o lugar vazio, nem enterrar o vestido junto contigo. Não sei por que fui escolher logo uma pimenteira para tomar o teu espaço físico. Dizem que elas espantam o mau olhado, removem a energia ruim, enfim… eu escolhi por causa das cores, sabe como é? Você sabe que curto as cores… mas, sei lá, tem coisas que a gente decide fazer achando que é por um certo motivo, mas na verdade é alguma força, sei lá qual, que está nos levando a fazer, esse lance do cosmo, enfim, enfim, enfim… deve ser isso que explica a morte também, deixa pra lá.

Eu sei que você não está prestando atenção à conversa desde o momento que citei a pimenteira. Não, ela não é uma biscate. Sim, ela usa vermelho. Não, quem usa vermelho não é biscate. E vou te confessar, a bicha ficou linda em teu vestido. Porra, mas nem morta você administra esse teu ciúme? Tá desculpada. Posso te pedir uma coisa? Se você conseguir controlar as coisas aí do lado de lá, no céu das suculentas, e de vez em quando puder fazer as coisas do seu jeito, será que você aparece em meus sonhos, só pra conversar comigo?

Vá em paz.

10 comentários sobre “Para quem curte ler obituário num onze de setembro

  1. Sabe que senti saudades de ler você?!
    Meus sentimentos pela princesa verde que se foi. E sorte com a pimenteira!

    1. Oi Elô!!

      Bom saber que você anda lendo isso aqui. Aumenta a minha responsabilidade em escrever de forma mais correta.. rsss

      Beijocas.

      Ivan.

  2. Então dae que justo dia 11 comprei umas suculentas para janela da cozinha…o vestidinho delas é vermelho, por que né, eu sou ariana….bem olho pra elas e lembro de você…rs começo a rir sem motivo….marido pergunta…
    – Tá rindo dequê muié?
    – Do obituário de hoje….
    – Você tomou seus remédios direitinho???? ele me perguntou todo preocupado…..

    Só você pra me fazer passar por isso…
    Bjos ti amo!

    1. Ô Babi! Tô com saudades da Rajadinha. A pimenteira, apesar de pimenteira, é tão quieta. Eu vou ver se consigo que ela se abra um pouco mais… rs
      Teu marido, um homem tão bom, vai aumentar já já a apólice de seguros. Ele tá vendo que você está enlouquecendo mais rápido.. hahaha

      Bom te fazer rir! Como estão as coisas? Já vendeu muitos iates? 🙂

      Love u 2.

      Beijo, sista!

      Ivan.

      1. A chapa ta quente…rs
        Menino, valeu o trabalho…batemos todos os escritórios…só ficamos atrás de Mônaco, que é o antro do pecado…rs
        Mas vamos que vamos….ano que vem vou pra lá, pra ver o que é que o Principado tem…
        bjos e muitas saudades!

        1. Babi, é o seguinte… eu sou um ex-frequentador de Mônaco, se é que tu sabe, né? Eu tinha muito dinheiro na vida, usei metade com mulé e pinga, e a outra metade, eu desperdicei. Assim sendo, tu num arruma uma vaga pra mó de eu ir pra Mônaco com voismicê, não? Eu sou o rei do pecado! Hahahaha

          Que lindo, hein flor? Tu ja ja é a rainha do iates! Lembra deu, seu primo pobre.. rsss

          Saudadinha.

          Ivan.

  3. Oi Ivan!
    Adorei seu post!
    Ai, fiquei aqui toda toda, tentando transcender, imaginando quem teria partido… Aaaah! rsrs
    Muito hilário!
    Mas hein, reparei pelas fotos que o vestido prata, vc dá pra todas ‘as suculentas’, rsrs… Tadinhas!
    Amei seu blog!
    Bj

    1. Querida Encantadora de Abelhas,

      Parabéns por sua habilidade em reparar em detalhes. Acontece que um vestido muitas vezes se revela em sua etiqueta. Embora semelhantes, os vestidos prata das suculentas que ficam acima, são da C&A, o da Rajadinha, agora da Pimenteira, é Chanel, sacou? sacou?

      rsssss

      Obrigado pelas palavras gentis.

      Beijo.

      Ivan.

    1. Putz… eu realmente não entendo o propósito de um filme desse tipo, assim como nunca digeri bem o exagero de filmes sobre o holocausto, por exemplo. Eu faço de tudo para evitá-los. Faça o mesmo!

      Beijocas.

      Ivan.

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