Se você fosse um pum, eu não te soltava nunca

 

Mulheres!! Who are you gonna call???

 

Prezado Sr. Completo  Estranho na Rua*,

Não, eu não quero dar uma volta no seu carro importado. Eu aprendi a não entrar no carro de uma pessoa estranha quando eu tinha cinco anos de idade.

Não, eu não vou te dizer meu nome, ou telefone, e não, eu não vou te dizer aonde eu moro, ou trabalho, ou para onde estou indo agora. Você não tem direito a essas informações. O fato de eu ser uma mulher numa rua pública não faz de mim propriedade pública, assim como o fato de você estar num Mcdonald não faz de você um Big Mac. Além do mais, nenhuma dessas suas perguntas é apropriada para se iniciar uma conversa.

Não, eu não estou me sentindo lisonjeada por você gritar do outro lado da rua que eu sou gostosa, ou por você resmungar entre os dentes todos os atos físicos que faria comigo. Me reduzir a um objeto que existe para o simples propósito do seu comentário é uma postura ofensiva, desumanizadora e ameaçadora.

Não, sua opinião (expressa a plenos pulmões) sobre o meu corpo ou partes dele não lhe dá o direito de ter a minha atenção. Eu não estou sendo rude quando eu me posto paralisada e coberta de medo ao fingir que não escutei o que você disse, você é que está sendo rude ao dizer isso.

Não, eu não tenho tempo para você, a despeito de você achar que meu “homem” não vai se importar com isso. Me ofende o fato de você achar que a opinião do meu “homem” é a que importa nesse momento.

Me ofende também o fato de que você me fez sentir que eu tinha que lhe dizer que sou casada só para garantir a minha integridade física, porque eu sei por experiências passadas que meu óbvio desinteresse não foi  suficiente para você me deixar em paz. Você passa dos limites ao se tornar uma ameaça evidente a minha segurança quando nem a minha gentileza em mostrar meu desinteresse ou mesmo o fato de eu ser casada (leia-se: indisponibilidade) serem suficientes para você deixar de me seguir na rua e fazer mais comentários acerca da minha aparência física.

Eu adoraria ser capaz de dizer “Me desculpe, mas não estou interessada em você”, mas eu sei que se eu fizer isso, você no mínimo me chamará de piranha, e se tornará potencialmente agressivo e uma ameaça física.

Eu odeio o fato de que a minha preocupação por minha segurança física no momento significa que eu não fiz nada para te dissuadir a nunca mais atormentar a minha pessoa ou a pessoa de uma mulher novamente.

* Essa é a carta que eu escreveria para o cara que eu vi assediando, e para todos os homens que diariamente assediam mulheres nas ruas, se eu fosse a mulher que ele perturbou. Na verdade eu queria mesmo é ser um dos soldados do BOPE sob o comando do capitão Nascimento e receber a seguinte ordem quando eu encontrasse um sujeito como esse descrito acima: “Ivan, põe o saco”… and bit the crap out of him!! Mas, aí eu perderia a razão… cof cof cof…

Eu não tenho o hábito de virar o pescoço para olhar a bunda de uma mulher. Quando a bunda é de chamar atenção, basta que ela chame a atenção, não eu. Portanto, a minha discrição é tamanha que quando eu vejo um corpo bonito, só Deus é capaz de dizer que eu olhei pra ele. Claro que a história descrita anteriormente trata de um comportamento bem diferente do que meramente olhar para uma mulher bonita. O assédio como esse que eu vi possui consequências negativas às mulheres e também aos homens, porque as mulheres, com isso, aprendem a desconfiar e a tratar todos os homens como se fossem sacos de merda, porque se não o fizerem, aqueles que são sacos de merda interpretarão a atitude como interesse e encorajamento, e acho que não vale a pena uma mulher por em risco a sua segurança ao preço de poupar os sentimentos de um homem, seja ele um babaca ou não.


6 comentários sobre “Se você fosse um pum, eu não te soltava nunca

  1. Bom dia Ivan,

    Excelente texto.
    Vivencia toda a indignação que vai em nosso interior.
    Certeza, também gostaríamos de ser soldados do BOPE nestes momentos.

    E sim infelizmente tudo isso nos faz colocar os dois pés para trás. Independente de cantadas ou elogios, ficamos ressabiadas.

    Beijos e excelente segunda/quarta para você.
    Ori.

  2. Ihhh, acabei de me lembrar de mais uma daquelas minhas histórias de busão, só que essa não teve um final engraçado não… não para ‘ela’…
    Zinha, meu querido, estava eu, num desses super lotados daqui do Rio, agarradinha aos meus livros, cadernos, bolsa e etc, quando um desses taradões resolveu estacionar bem nas minhas costas. Não havia muito espaço para eu me livrar das ‘investidas’, e, vira daqui, bufa de lá, a loira aqui, toda corajosa, já muito da roxa de raiva, virou-se de frente para o babacão, sabe como, encarando bafo no bafo, quase perguntando: e agora, mermão,??!!
    Intimidado??? Que nada!!! O safado deu uma de indignado e desceu do coletivo me xingando de todos aqueles nomes que a santa mãe dele merece. E ainda a-ca-bou com a estima dela, sabe. Ela quem??? A minha pobre,cof cof, bunda!!!! Coitadinha, até hoje ela não se recuperou daquele sonoro ‘murcha’…kkkk
    Aquele filho de uma égua me deve uma grana de terapia e muitas horas de agachamento na academia. Coloca ele no saco também, Xoo???? rsrsrs

    Bjos

  3. Oi Ivan,

    As usual, a visita aqui SEMPRE vale à pena.

    Onde, mesmo, eu assino a petição que postula à Alguma Corte Interplanetária dos Direitos da Mulher declarar que alguns representantes sórdidos, medíocres, insignificantes da Sociedade Masculina,vulgarmente conhecidos como “Sacos de Merda”,violaram artigos de Direitos Humanos e de Prevenção à Violência Contra a mulher eque recomende ao governo brasileiro incrementar campanhas educativas,em especial nas escolas,ensinando, mostrando que a mulher deve ser respeitada em sua diferença em relação ao homem e em sua dignidade.
    Pois só assim será extirpada para sempre essa raça maldita dos “Sacos de Merda”.

    Parabéns pela manifestação e pelo texto!

    Um abraço,

    D.

    1. Oi D!!!

      Que bom que você gostou! Como eu disse, na verdade eu tive vontade mesmo é de enfiar a porrada no sujeito, mas eu não sou muito de violência, sabe? Ou será que a vontade que deu já me faz violento? rss… enfim… acho o fim da picada sujeitos que agem dessa forma.

      Beijinhos.

      Ivan.

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