Zeca e o Aspirador de pó: uma breve ilustração

Esta pequena história ilustra exatamente o que eu odeio em aspiradores de pó. A história fala sobre um jovem rapaz chamado Zeca. Zeca é um personagem totalmente inventado e reflete basicamente a mim mesmo representado numa história ligeiramente fictícia com raízes profundas em fatos é um amigo meu.

Num domingo em particular, quando Zeca ainda era casado, e sua esposa estava grávida. Filó, pediu a Zeca que passasse o aspirador de pó na casa. Zeca sempre odiou passar o aspirador. Existe algo em aspiradores que desordena sua pequena mente límpida e sistemática.

Ele simplesmente odeia isso, o pó, o caos, aquele fio idiota. Isso não quer dizer que o Zeca não gostasse de ajudar na casa – ele ajudava – mas Filó geralmente evitava pedir a ele que passasse o aspirador. Zeca não se importava com tarefas autônomas legais, como por exemplo levar o lixo pra fora, colocar coisas em cima dos armários, ou até mesmo cozinhar (Zeca é um ótimo cozinheiro), mas Zeca desprezava aspirar o pó mais do que qualquer outra coisa no mundo.

Ele odiava o fato de que o fio nunca era comprido o bastante. Ele odiava o jeito em que o bocal sempre caía do tubo. Ele odiava aquele pó que se reunia nos cantos mais difíceis de alcançar.  Uma das reclamações mais contundentes sobre o aspirador de pó era o barulho. Ele não conseguia ouvir o rádio, música, ou o telefone que tocava. Tudo que ele conseguia ouvir era aquele barulhão idiota, e era sempre tãããõooo alto!

Zeca passou a manhã se preparando psicologicamente para passar o aspirador. Dessa vez, ele disse a si mesmo, que só gritaria de frustração apenas uma vez permaneceria calmo e comportado.  Dessa vez, ele iria completar a tarefa calmamente e de forma gentil.  Dessa vez ele estaria pronto. Dessa vez ele seria o marido modelo.

A ideia era que se ele se preparasse mentalmente para o stress que estava por vir, e que lembrasse constantemente a si mesmo que embora ele odiasse aspirar o pó, a tarefa precisava ser feita, isso o deixaria no estado mental correto.  Zeca não deveria ter acreditado nisso, mas Zeca acreditou.

Uma coisa que Zeca odeia é o desajeitamento dos sofás e das camas. Passar o aspirador sob a cama é sempre um pesadelo absoluto. Nesse domingo em particular, Zeca começou pelo quarto. Primeiramente, isso envolve remover as caixas que ficam debaixo da cama, e depois alcançar os quatro cantos para remover o pó, o que é bem frustrante porque alcançar o meio é sempre complicado. Depois ele teve que aspirar o fundo das caixas, o que significa levantá-las e ficar cheio de pó no corpo. Zeca odeia isso.

Ele já estava suando feito um gambá, e o pó começou a grudar na pele dele. Zeca  deu um urro de desespero e jurou passar o resto da vida tentando diligentemente encontrar uma forma de eliminar o pó da face da terra para sempre se controlou.

Ele deu uma olhadinha no computador para conferir o placar da rodada do campeonato brasileiro. Se as coisas já não estivessem suficientemente ruins, todos os seus times de preferência estavam perdendo os seus jogos. Zeca quase chorou disse a si mesmo que era só uma porcaria de futebol. Alcançar o canto extremo do quarto era sempre um pesadelo. Com o cabo totalmente esticado. Zeca estava tropeçando e resmungando. Por que é que  a porra do o fio é sempre tão curto? Quem projetou essas merdas peças? Ele fez uma anotação mental para tentar descobrir de verdade quem era o sujeito que autorizava a dimensão desses fios e também descobrir no Google como simular um acidente de automóvel por perda de freios.

A parte de trás do aspirador caiu no chão fazendo um barulho enorme e espalhando um monte de pó pelo piso. “Puuuuuta que pariu” “Nossa Senhora!!!”, exclamou Zeca. Ele odeia quando isso acontece. Como é que alguém consegue aspirar se o aspirador vive despencando todo?

A sala de estar quase que enlouqueceu Zeca por completo. Sua mente sistemática demandava  que o trabalho fosse realizado por completo. Ele odeia o o jeito em que o pó se aglomera nos pés da mesa e nas pernas das cadeiras. Para realizar o trabalho devidamente, ele teve que levantar as pernas e aspirar sob elas.

À medida que se arrastava ao redor da mesa ele não conseguia acreditar quantas migalhas existiam por ali. “Aaaaarghhh” ele gritou, e naquele instante jurou que iria viver só de vitaminas de bananas pelo resto da vida.

Zeca afastou o sofá para aspirar por baixo dele. Ele puxou o aspirador, mas a desgraça não se movia. Aquela porcaria ficou toda enrolada na mesa de jantar. Ele deu um chute no aparelho e puxou novamente. Dessa vez as rodas ficaram presas no fio. “Aaaarghhh” ele gritou, batendo o pé em direção àquela coisa idiota, inanimada, pedaço de merda de aspirador de pó. Ele o carregou para trás do sofá. Mas, aí a cabeça da escova caiu. Zeca prendeu o fôlego, recolocou a escova no lugar, e ao se virar em direção à parede, riscou a pintura. “NÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO”, ele gritou. E depois olhando em direção ao céu berrou: “POR QUEEEEEEEEEEEEEEEEEE????”

Depois disso, Zeca levou o aspirador para fora da casa para limpar o saco de pó, o que ele achava a pior parte.  Ele sempre ficava perturbado ao ver a quantidade de pó que acumulava em poucos dias. Esvaziar o saco sempre fez uma bagunça, por isso ele o levava para o lado de fora. Algumas semanas antes Zeca deixou  o saco de pó esparramar em cima do tapete novinho da sala de estar que ele havia acabado de aspirar aprendeu uma lição da forma mais difícil, e não quer falar sobre isso.

E é por isso que eu odeio Zeca odeia tanto aspirar o pó.

Zeca terminou o dia no quintal de casa aspirando o máximo de insetos que ele conseguiu em uma hora tomando uma cervejinha gelada.

Mais tarde ele pediu a sua então esposa para entrar na internet e comprar um novo aspirador de pó, o melhor que ela encontrasse, dinheiro não era problema.

 

7 comentários sobre “Zeca e o Aspirador de pó: uma breve ilustração

  1. E depois as pessoas chamam a Iliada de epopéia?

    Olha, eu acho que esse Zeca é um limitado. Sim, aliás, limitado como TODO homem é. Depois que eu descobri que é meio “regra” homem desligar o som para estacionar, eu perdi – definitivamente – a fé neles.

    beijo!

    1. Boca, sua crapulosa! A gente desliga o som para estacionar porque as vezes pode passar um velhinho atrás, e é tão legal ouvir o berro do velhinho quando a gente passa com o pneu em cima do pé dele!

      Entendeu? Ha!

      Beijos.

      Ivan.

  2. Ah! Então é assim que se consegue um aspirador de pó novinho em folha?
    Será que da certo com outros equipamentos também?
    Tipo, pedir para lavar louças depois daquele jantar para 50 amigos … talvez funcione e ganhe uma lavadora de louças novinha. E pedir para estender roupa naquele varalzinho filho de uma égua, que preciso me pendurar na janela, talvez ganhe uma secadora.
    Ops, mas agora que me lembrei, para que Zeca apelar? aushauhsuahuahsuhaushaush

  3. Juro, tenho trauma de aspirador.
    Eu tava com uma empregada aqui em casa, pq cuidar do Leo, da casa, do grandão era demais pra mim…
    Bem, ela chegava as 7:30, recolhia o coco da mel, lavava a frente e puf..pegava a porra do as pirador…e o barulho me acordava, acordava o Leo, me enlouquecia!!!
    Eu ficava na cama imaginando….”agora acabou, ja vai parar”… e nada!! Aquele barulho infernal durava milênios !! kkkkk
    Opa, o comentário virou post rs
    bj

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