Fui parar no BBB, e tudo que eu queria, era ir pro paredão!

 

Under the influence

Bem, senhoras e senhores! Como já deixei implícito e explícito nesse espaço chamado Reino Lúdico, eu sou um ser superior. Não apenas porque eu separo o lixo, porque não peço a minha via impressa na maquininha do cartão de débito, porque fecho a água na hora de passar o sabonete… bem, essa última é mentira, mas meu pai fecha! Então, além dessas coisas lindas que fazem de mim um ser, uma espécie humana top de linha, eu acrescento o fato de que também sou um ser superior ao…ir a festa de aniversário da minha ex-esposa. Eu sei, eu sei, sou demais.

Foi lá, no Yankees, espaço que eu só conhecia ao passar de carro pela frente, que sempre me fazia pensar ali mesmo com meus botões como é que aquele bando idiota de gente podia ficar numa fila daquele tamanho para entrar num lugar que…que eu não sei, porque nunca havia entrado…e depois de resmungar sobre aquele bando de idiotas que ficava numa fila daquele tamanho para entrar num lugar que eu não sei o que, eu seguia em frente com meu carro nas altas horas à procura de uma farmácia 24 horas para comprar camisinha Neosaldina ou um xarope qualquer, ou ir ao mercado 24 horas porque no meio do trabalho [burning the midnight oil] me dera uma vontade enorme de comer Miojo.

Eu havia sido convidado há dois dias. Aceitei e em seguida fui informado que haveria uma taxa de consumação de trinta reais para os homens. Mulheres entram de graça [isso é tema para uma postagem machista, fascista, preconceituosa, horripilante, de arrebentar com a boca do balão, que se Jesuis abençoar, um dia escrevo]. Fiz a conta nos dedos. Eu teria que pagar a minha entrada, a do Tuca, e a do Di. As meninas, na faixa…

Por volta das 8 da noite eu já comecei a me arrumar para o rega-bofe. Minha filha caçula Juliana ligou:

– E aí gatão? Vai pro Yankees?

– Hum hum…

– Passa aqui?

– Hum hum…

– Tipo às dez e meia, onze horas?

– Ahnnn???

– Anh o que?

– Mas, eu já estava pondo a roupa!!!

– Heeelloooooo…

Voltei a trabalhar.

À meia-noite estava eu ali entrando naquele lugar onde várias vezes eu vi a fila com o bando de idiotas bla bla bla… mas, não havia fila!

– Ju, cadê a fila?

– Tá cedo, pai.

– Cedo? Não vamos pegar a fila?

– Nope!

Entrei. A casa não era larga, era comprida. Muito comprida. Andamos uns cem quilômetros metros até chegarmos ao camarote reservado para a festa. Lá estavam minha ex e vários de seus, e suas, colegas de trabalho. No fundo tocava uma música que se eu pudesse onomatopetizar seria algo mais ou menos assim: tizz tizz ruumm ruumm tizz tizz ruumm ruumm… fui devidamente informado posteriormente que se tratava de uma noite de música tech-house, a tal tizz tizz ruumm ruumm

Eu precisava beber. O camarote era um lugar simpático, me fazia sentir uma espécie de celebrity, eu lá em cima com meus amigos, e o povo mais ali embaixo, no átrio, na ralé, os párias…Não, eu percebi isso antes da bebida. Pedi Absolut. O namorado da Ana [filha mais velha] prontamente disse: eu dirijo na volta! Eu não argumentei, embora tivesse vontade de mostrar o dedo do meio pra ele. Depois da Absolut, vieram várias garrafas de Heineken e Summer, e claro, CDB (cu de burro). Quanto ao CDB, passei uns bons minutos explicando à garçonete loirinha o que era cu de burro. Uma rodinha de muitos se formou ao meu redor, enquanto eu revelava o segredo das terras de Ribeirão Preto. Expliquei que, apesar do nome um tanto rústico, a fina iguaria consistia de limão espremido num copo, com bastante sal e gelo que acompanhava a cerveja…embora interrompido várias vezes pelo o som de uaus e nooossaa que advinha do espanto da multidão que me cercava, por fim consegui me fazer entender à garçonete loirinha que passou a me suprir doses constantes de cu de burro.

A casa, outrora vazia, estava enchendo e cada vez enchia mais. Eu comecei a ficar bêbado. Eu dançava com minhas filhas, e também com os meus filhos. O tizz tizz ruumm ruumm tizz tizz ruumm ruumm havia progredido para um tizz tizz ruumm ruumm uhehn uhehn poww poww, e eu me dei conta de que aquilo era uma batida tribal que invocava os ancestrais Xavantes, Tupis, Cherokees, Cheyennes, Navajos, Bororos, e claro, os Absolut, e eu me entreguei e estava ali completamente bêbado possuído pelos espíritos de meus pais silvícolas. O camarote estava lotado, todo mundo animado e dançando. A ex-esposa personificando uma típica dançarina de pole dance ia até o chão [se ela tivesse feito isso no passado, talvez o casamento tivesse ganhado uma sobrevida de alguns meses… cof cof cof] numa rodinha formada com suas colegas de trabalho.

De repente comecei a ter delírios. Na minha frente passaram quatro indivíduos, duas moças, dois rapazes. As minhas filhas davam pulinhos e batiam palminhas. Quem eram aqueles seres? Fui informado que eram quatro ex-BBBs. Dois deles seriam DJs naquela noite! Eu estava naquele instante em profunda comunhão com o espírito de Touro Sentado, e por isso me afundei [sentado] num dos sofás de couro do camarote. Os seres da galáxia BBB entraram no camarote e tiravam fotos. Eu tive medo. Quis pular para trás do sofá, mas o local estava cheio de garrafas de Heineken, muitas eu mesmo havia jogado ali. De repente, uma mulher de uns três metros de perna, e mais três metros de membros superiores se materializou à minha frente. Ao lado dela minha filhinha de um metro e sessenta dizia: esse é meu pai. Eu estava em transe, sorri sem mostrar os dentes, ela fez um aceno, e depois disso tudo o que eu me lembro é que pedi que me levassem para o paredão!

Passava das quatro da manhã e eu queria ir pra minha cama. Aquela multidão, aqueles idiotas que ficaram na fila, estavam todos alucinados. Entendi o porquê da fila ser tão irrelevante pra eles [ou relevante, dependendo do ponto de vista]. Comecei a pensar que tudo o que eu queria naquela hora era olhar pro céu e ver as Três Marias deitado num colchonete na varanda do meu quarto, sentindo o cheiro do cabelo da mulher amada, e acordar no sábado pela manhã, de banho tomado, Havaianas nos pés, ir à feira tomar café com leite e comer pastel. De repente eu comecei a pensar nas inúmeras laudas de trabalho que pretendia produzir no sábado e no domingo. E agora, já decorrida metade do dia de sábado eu ainda não consegui começar a trabalhar. Duríssima essa vida de um ser superior.

Eu e Diegão!

 

 

Ana e Eu
Eu e o Tuca. Em comunhão com as forças de Absolut.
Meu sobrinho Rafinha pensando num plano de como sair da família.
Rafa e Di. Supostamente acharam um plano em conjunto.
Eu e Juju do lado de cá da fila.

7 comentários sobre “Fui parar no BBB, e tudo que eu queria, era ir pro paredão!

  1. Como eu ri “Eu estava naquele instante em profunda comunhão com o espírito de Touro Sentado”. Muitas e muitas vezes partilhei desse espírito e não soube nomear.

    E o CDB…ah..o CDB. Ele dá, por assim dizer, uma sobrevida a bebedeira.
    😉

    beijo!

    1. Fia, o CDB é pra dar sobrevida???? Ahhhhh, então tá explicado essa merda…

      Manda comprar umas 3 dúzias de limão que sexta eu chego aí pro esquenta!

      😛

      Beijo.

      Ivan.

  2. Que balada boua hein?

    Já te disse, mas repetirei: Vai fazer filho bonito assim, lá na casa do píííííí´….

    Eu sei, eu sei..Vc é superior!!!!

    Quando eu consegui compartilhar mais que palavrões com meu ex marido, eu tb atingirei esse patamar de superioridade!

    bjo, bjo

    1. Oi Mandica!!!

      Tu ia gostar da baladinha lá.. tu se amarra nessas músicas malucas, né? rss

      Fiarada tá bonita, né? O Tuca, num outro dia desses, lembrou-se dos seus moleques!

      Me escreve contando as novis!

      Beijos.

      Ivan.

  3. Aaaaaah, os segredos de Ribeirão! haushauhsuahsas

    Reclama não, cê tava cercado de bebida booaaa! Com alcool tudo se resolve 😉

    Adoro suas histórias, Ivan ^^

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