Um emprego ou uma quenga?

Hoje meu filho número 3 [pareço o Silvio Santos] fez 18 anos. Como bom pai eu o levei a um puteiro. Bem, não é verdade. Talvez ele até tivesse gostado dessa ideia, mas eu, como ser superior, levei-o a uma Feira do Primeiro Emprego. Isso mesmo. Sou fodão!

A primeira ficha que ele preencheu era para o cargo de servente, R$ 3,45 a hora. Bem, ele não sabia que estava concorrendo a um cargo de peão, mas quando eu percebi já era tarde para impedi-lo. Segunda feira provavelmente vão ligar pra perguntar se ele tem medo de altura e se já quer começar a revirar concreto no vigésimo andar de algum prédio em construção.

O segundo estande em que entramos era do Habib’s. No fundo o Arthur estava achando que eles iriam servir esfihas e não esperava que a moça do RH fosse tão incisiva para que ele se apresentasse, pasmem, ainda hoje numa das lojas para falar com o gerente, marcar o exame médico e “começar uma grande carreira em uma das maiores franquias do Brasil”. Nunca antes na história desse país, meu povo… tem trabalho, oras.. Habib’s contratando a rodo!

Bem, o menino, com seus 18 anos completos, já começou a criar alguns critérios de discernimento de qualidade. Passou então a procurar as ofertas de emprego que oferecessem o melhor salário, com menor carga horária, e com a tarefa mais banal e divertida. É bem verdade que ele não achou nada que pagasse “Milão” para ele testar jogos de vídeo game,  segunda, quarta e sexta, das 2 às 4 da tarde, né? O mais próximo que ele achou foi um estágio de segunda a sexta pagando R$350,00. Saiu de lá torcendo para que liguem pra ele na segunda.

Enfim, como eu sou um pai de outro mundo, de primeira classe, eu o acompanhei, o ensinei a olhar nos olhos das pessoas enquanto elas falavam, e também respondi, ou pelo menos tentei responder a seus questionamentos:

Arthur: Pai, esse negócio aqui de filiação, eu ponho você e a mãe?

Eu: Claro, ué!

Acontece que não é tão claro assim. O menino achava que o fato de eu ter separado da mãe dele, mudaria seu status de filiação. Bem, não muda. Ele continua filho do pai e da mãe. Mas, foi interessante notar a linha de raciocínio debilóide do menino.

Arthur: Pai, local de nascimento. O que eu ponho? Maternidade Santa Brígida?

Eu: Não, né?!! Local de nascimento é a cidade em que você nasceu.

Não sei o porquê, mas, naquele momento comecei a pensar nas pérolas do Enem…

Arthur: Pai, aqui em RG, eu ponho meu RG?

Eu: Não, cacete!!! Põe o tamanho do teu pau!!!! Claro, Arthur, claro que é o seu RG!

Arthur: Owwww é o meu primeiro emprego, tá ligado?

Eu: E talvez o último.

Eu sei, não fui um ser tão superior assim. Talvez eu devesse mesmo é tê-lo levado à casa da luz vermelha…

9 comentários sobre “Um emprego ou uma quenga?

  1. Olá Ivan,

    Estou me divertindo com o seu blog e, em particular com esse post.
    O fato de ter um filho (de 16) me fez pensar que daqui a pouco passarei por essa experiência (não exatamente essa…rs), e achei super curiosa a pergunta da filiação considerando essa circunstancia de pais separados.
    Parabéns por sua habilidade cativante de falar sobre o que pode ser o cotidiano de qualquer um de nós.
    Um abraço.

    1. Oi Carla,

      Muito obrigado por seu comentário! Fico feliz que o blog ainda alcance algumas pessoas e tire risos. A ideia é essa! 🙂

      Pois é, essa molecada de hoje nos diverte (e às vezes nos tira do sério) com algumas de suas observações. Ainda bem que foram feitos por amor, e os mantemos por amor.

      Um outro abraço.

      Ivan.

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