Só pra contar…

1. Murphy é meu macho

Eu no supermercado, atrasado, tendo que escolher entre a fila das cestinhas com apenas dois caixas atendendo, ou os caixas comuns com clientes e seus carrinhos abarrotados. Nos casos em que se trata da minha pessoa, pode acreditar, qualquer uma das duas escolhas, não seria a melhor. Optei pelo caixa expresso.

Não satisfeito com a já infeliz tarefa de permanecer numa fila, decidi pensar em voz alta:

– Porra de supermercado que não disponibiliza caixas… é sempre essa merda!

Veja bem, eu não guardei isso pra mim, eu pensei em voz alta. Tipo voz alta para o gerente ouvir lá na sua sala no andar de cima. Mas, ele não ouviu. Quem ouviu? A pessoa da frente, e a pessoa de trás.

A pessoa da frente:

Existem certas pessoas que nasceram com a seguinte missão na vida: falar. E quando essas pessoas estão quietas, aparece um idiota numa fila de supermercado que dá a deixa para a tal matraca desandar seu lero. E foi isso que aconteceu. A “tia” da frente falou, falou, falou e falou mais do que meus ouvidos puderam ouvir. E falou também a pessoa de trás.

A pessoa de trás:

Ele deveria ter uma idade real de vinte e cinco anos, mas a substância que guardava sob o braço tinha no rótulo o número que correspondia a sua real aparência: 51. Minha boca, que não sabe calar, acordou o bêbado que estava atrás que, por sua vez, passou a debater com a pessoa da frente – não eu, mas a que estava na minha frente – sobre o caos desse país que nada funciona, com tanta gente desempregada. A pérola do discurso dele foi quando disse: “Eu estou desempregado e adoraria trabalhar como caixa aqui nesse supermercado”.

E eu pensei, dessa vez bem quietinho: Pra gastar a porra do salário todo em 51.

Enfim, voltemos à fila da minha escolha. Depois de muito tempo, chegou a minha vez. Se você pensa que eu fiquei feliz, engano seu. Para quem tem pacto com Murphy, essa é a hora temida. No caixa à direita, quando tudo parecia estar acabando, um saco de açúcar estoura e o pessoal da limpeza é chamado. Bem, se o da direita não deu, o da esquerda dará, certo? Errado! Quando dei dois passos em direção ao da esquerda a moça se vira para mim e diz: “Só um minuto que vou trocar a fita…”

Bem, vocês não têm ideia de quantas vezes eu já ouvi essa frase em um supermercado. Se você quer saber como se troca uma fita, me acompanhe às compras.

Enfim, paguei as minhas compras. Não vou me atrasar ainda mais, correto? Errado. No estacionamento, com muitas vagas desocupadas, uma Kombi decidiu descarregar sacas e mais sacas de laranjas bem em frente ao meu carro, me forçando a esperar  mais alguns minutos até que meu carro fosse desbloqueado.

Naquele mesmo dia a Nasa anunciou que pedaços de um satélite iriam cair na terra, bem provavelmente no mar, e com chances de 1 em 3 trilhões de acertar a cabeça de um ser humano. Bem, ao menos dessa vez, o Murphy não comeu meu rabo.

2. Premonição, medo não é meu barato.

Sobrinho me chamando pra ver um filme de terror em 3D.

– Aehh tiozão, topa ver Premonição no IMAX?

– Quepôaéessa?

– Terror.

– Nem fodendo.

– Arregou!! Tem medo?

– Não é pra ter?

– Não.

– Ah tá. E se tiver passando uma comédia, não é pra rir?

– É.

– Então se eu devo rir numa comédia, devo também ter medo num filme de terror. Certo?

– Ahhhhnnnnnnn! (Debilóide). Acho que sim.

– Também acho. Vou não. Obrigado.

3. Bate um bolão

Fui pagar uma conta na lotérica do shopping. Veja bem, eu não faço muito o perfil de voyeurismo, ou para ser menos requintado: não fico olhando para peitos e bundas. Não acintosamente, eu quero dizer. Esse nunca me foi um hábito adquirido. Mas, dessa vez, eu olhei. Entrei na lotérica e a mocinha que me atendeu estava simplesmente com toda a comissão de frente exposta, e cá para nós, muito bem exposta. Ela ali fazendo as contas do meu boleto, e eu, hipnotizado em seus faróis tipo Fafá.

De repente ouço sua voz meiga me dizer:

– Moço, quer participar do meu bolão?

Eu fiquei na dúvida sobre que bolão ela se referia, mas, eu participei.

4. Livros são de Deus

Estou colocando a leitura em dia. E quando digo em dia, me refiro a anos de leitura. Embora sempre tenha lido, não li o tanto que poderia ter lido na minha juventude. Mas, nunca é tarde para certas coisas. Com esse propósito de me redimir em mente, tenho associado leituras de textos novos e leituras de clássicos. O clássico com o qual estou me deleitando é Memórias de um sargento de milícias. Estou amando tanto essa leitura que fui à livraria e comprei um exemplar novinho pra substituir a versão de bolso surrada da Folha de São Paulo que eu estava usando. A leitura mais atual é o Solar da Fossa que conta histórias de uma casa no Rio que abrigou, em tempos diferentes, gente do tipo de Caetano, Gil, Paulo Leminski, Tim Maia, Ítala Nandi, Naná Vasconcelos, Paulo Coelho e muitos outros. Não vejo a hora de ler as histórias incríveis do solar.


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